10ª Bienal do Mercosul terá obras inéditas e que marcaram as nove edições

Nas palavras do curador-chefe, Gaudêncio Fidelis, será uma Bienal “extraordinária”, “surpreendente” e de “densidade artística”. Confira destaques do que será apresentado10ª Bienal do Mercosul terá obras inéditas e que marcaram as nove edições Bienal do Mercosul/Divulgação

“Tropicália”, de Hélio Oiticica, será reconstruída em um espaço de 150 metros quadrados. Foto: Bienal do Mercosul / Divulgação

Do Brasil dos parangolés de Hélio Oiticica ao México da pintura mural de Diego Rivera, a 10ª Bienal do Mercosul varrerá o continente apresentando a arte de 21 países da América Latina.

Em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (29/7), no Santander Cultural, foram anunciados os mais de 400 artistas que estarão representados em uma seleção de cerca de 700 obras. Também ganharam endereço as exposições, divulgadas em primeira mão por ZH em fevereiro, que serão apresentadas de 8 de outubro e 22 de novembro, em Porto Alegre.

Nas palavras do curador-chefe, Gaudêncio Fidelis, será uma Bienal “extraordinária”, “surpreendente” e de “densidade artística”:

– A ideia é ter um grupo de obras de grande significado artístico, cultural e histórico. Não teremos o novo ou o mais recente como ênfase, como em Bienais que apostam em trabalhos comissionados feitos especialmente para o evento. Abandonamos esse modelo, mas também não faremos uma Bienal estritamente retrospectiva e histórica. Construímos uma Bienal a partir de escolhas de obras, e não de nomes de artistas. Será mais museológica, mas também contemporânea.

A Bienal está em celebração. Começa pelo número redondo de 10 edições, passa pelo tema “Mensagens de uma Nova América”, que retoma o foco na produção latina como na primeira edição em 1997, e chega ao caráter antológico e geopolítico das sete mostras previstas, que mesclarão trabalhos de artistas latino-americanos nunca apresentados no evento com obras emblemáticas das nove edições anteriores.

A Bienal também está em crise. Em ano de sufoco da economia, o orçamento caiu de R$ 13 milhões para R$ 6,5 milhões. Para que o projeto fosse mantido, essa redução de 50% levou a uma reengenharia de custos envolvendo o transporte de obras emprestadas de acervos públicos e coleções particulares de países da América Latina.

– Fizemos uma operação para verificar onde havia obras de determinados artistas, localizando acervos e coleções. Foi um processo exaustivo para mantermos a densidade do projeto curatorial com um grupo de obras que fosse viável. A grande dificuldade desta Bienal é a engenharia desses empréstimos de museus, coleções privadas e de artistas. Não conseguimos algumas obras por circunstâncias diversas, mas fomos 95% bem-sucedidos. O projeto está mantido em sua integridade – afirma Fidelis.

A principal mudança sobre o que já havia sido divulgado foi em relação à mostra Casa das Bienais. Anteriormente concebida como uma exposição individual e de caráter retrospectivo, agora migrará para dentro das outras sete mostras com obras que contam um pouco da história das nove edições nesses 18 anos de Bienal do Mercosul.

– Teremos obras de todas as Bienais. As pessoas vão se lembrar porque são emblemáticas ou chamaram atenção. A decisão de levar esses trabalhos para dentro das exposições foi conceitual, porque decidimos tentar evitar um caráter retrospectivo e também porque elas se conectam aos diversos assuntos tratados nas mostras – diz Fidelis.


Os 21 países

O foco na América Latina trará cerca de 700 obras de 21 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Nicarágua, Paraguai, Peru, Porto Rico, Uruguai, Venezuela, Panamá, Trinidad e Tobago, Jamaica e Honduras.

Alguns destaques

Entre os 400 artistas, há obras desde nomes do século 18, com o barroco Aleijadinho, até contemporâneos, boa parte deles com trânsito internacional. São os casos, por exemplo, de artistas como Adriana Varejão, Alfredo Jaar, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Carlos Cruz-Diez, Cildo Meireles, Ernesto Neto, Hélio Oiticica, Jesús Rafael Soto, Joaquín Torres-García, Julio Plaza, León Ferrari, Leonilson, Lucio Fontana, Lygia Clark, Lygia Pape, Miguel Rio Branco, Mira Schendel, Nuno Ramos, Paulo Bruscky e Waltercio Caldas.

Gaúchos

Entre os artistas nascidos ou atuantes no Estado, históricos ou em atividade, estão nomes como Ana Flores, Ana Norogrando, André Petry, Avatar Moraes, Beatriz Dagnese, Britto Velho, Carlos Asp, Didonet Thomaz, Dirnei Prates, Eduardo Haesbaert, Fernando Lindote, Flávio Morsch, Frantz, Heloisa Schneiders da Silva, Ilsa Monteiro, Ismael Monticelli, Karin Lambrecht, Leopoldo Plentz, Marcelo Armani, Mário Röhnelt, Milton Kurtz, Paulo Flores, Romanita Disconzi, Rommulo Vieira Conceição, Saint Clair Cemin e Wilson Cavalcanti.

Imperdível

Um dos mais importantes artistas brasileiros, Hélio Oiticica (1937 – 1980) estará representado com obras históricas e de relevância internacional para a arte contemporânea. Além de nove parangolés originais do artista, a Bienal apresentará uma obra emblemática: “Tropicália” (1967), proposta de instalação e arte ambiental que convida o público a percorrer seu espaço. Inovador e radical à época, o penetrável – como Oiticica chamava –  inspirou Gilberto Gil e Caetano Veloso a batizar o tropicalismo. Na Bienal, “Tropicália” será reconstruída conforme a versão original, em um espaço de 150 metros quadrados.

Para lembrar

Nas sete exposições da 10ª Bienal do Mercosul, serão reapresentadas algumas obras que fizeram história nas nove edições anteriores. Uma delas é “A Máquina do Mundo”, da artista Laura Vinci. A estrutura, que transporta pó de mármore por uma esteira, lembra uma linha de produção de mineração industrial. Com título inspirado em poema de Carlos Drummond de Andrade, a obra foi criada especialmente para a 5ª Bienal, em 2005.

Programe-se

De 8 de outubro e 22 de novembro, a 10ª Bienal do Mercosul apresentará sete exposições. Os locais das mostras e das outras atividades serão Casa de Cultura Mario Quintana, Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, Instituto Ling, Memorial do Rio Grande do Sul, Margs, Museu Júlio de Castilhos, Santander Cultural e Usina do Gasômetro.