Apesar de proibidos, lixões voltaram a ser usados por alguns municípios

Produção de resíduos sólidos aumenta, mas reciclagem e coleta seletiva permanecem estagnadas. Destinação incorreta do lixo persiste

Apesar de proibidos na Política Nacional de Resíduos Sólidos, os lixões voltaram a ser usados por alguns municípios.

 

Dados apontam que o volume de lixo depositado em lixões, em 2017, seria suficiente para encher 160 estádios do tamanho do Maracanã.

Esses dados são da pesquisa Panorama dos Resíduos Sólidos de 2017, publicada pela Abrelpe, Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos. O levantamento foi feito a partir de dados colhidos diretamente dos municípios.

De acordo com Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe, em 2017, houve aumento da produção de resíduos sólidos com a retomada da economia, de 1% – percentual proporcionalmente bem maior que o aumento populacional, que foi de 0,48%.

E mesmo com a coleta de lixo quase universalizada no Brasil – mais de 90% dos resíduos gerados são coletados – um problema apontado na pesquisa da Abrelpe é que persiste a destinação incorreta desses resíduos.

Atualmente 18% vão para lixões irregulares, um aumento de 3% com relação à última pesquisa, de 2016.

O cenário da reciclagem, coleta seletiva e logística reversa também permaneceu estagnado.

Além dos entraves para a implementação dessas políticas, há um elemento cultural: apesar de ser praticamente unânime entre os brasileiros o reconhecimento da importância da reciclagem, de 90%, 75% dos brasileiros não separam seus resíduos e menos da metade tem conhecimento de que alumínio, papel e garrafas pet são recicláveis.

Aumentar a conscientização da população, fazer cobrança diferenciada da coleta de lixo e destinar mais recursos para as questões sanitárias envolvendo o lixo são as soluções propostas pelo diretor da Abrelpe para melhorar esse cenário.

Fonte: Rádio EBC