Cesare Battisti assume responsabilidade em quatro homicídios

<p>O ex-ativista de extrema esquerda Cesare Battisti, que permaneceu foragido durante 40 anos, reconheceu diante de um juiz italiano que é responsável por quatro assassinatos cometidos nos anos 1970 – informa a imprensa local.</p><p>Esta é a primeira vez que Battisti, que foi extraditado em janeiro para a Itália, onde cumpre pena de prisão perpétua, admite ser responsável pelos crimes que renderam sua condenação à revelia.</p><p>Questionado pelo procurador antiterrorismo Alberto Nobili, Battisti disse que é responsável por “quatro homicídios, três feridos graves e vários roubos para autofinanciamento”, disseram fontes judiciais em uma entrevista coletiva em Milão.</p><p>”Eu falo sobre o que sou responsável e não vou falar sobre ninguém”, acrescentou o ex-ativista, conforme Nobili narrou à imprensa nesta segunda-feira (25).</p><p>Na mesma coletiva de imprensa, o procurador-geral de Milão, Francesco Greco, disse que Battisti admitiu os quatro assassinatos pelos quais foi condenado, “dois dos quais era o executor”.</p><p>”Com essa admissão, ele esclarece muitas controvérsias, presta homenagem às autoridades policiais e à magistratura de Milão e reconhece que agiu de maneira brutal”, acrescentou Greco.</p><p>Durante o interrogatório, que durou 9 horas, Battisti pediu desculpas pela dor causada às famílias das vítimas.</p><p>Na Itália, a prisão de Battisti foi unanimemente elogiada, da direita à esquerda do espectro, em particular porque o ex-chefe dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) sempre alegou sua inocência e nunca se arrependeu.</p><p>- Uma vida de fugas -</p><p>Battisti, 64 anos, foi condenado pela primeira vez na Itália no início da década de 1980. Na época, foi sentenciado a 13 anos de prisão por pertencer ao PAC durante os “anos de chumbo”. Fugiu em 1981.</p><p>Acabou sendo julgado à revelia em 1993 e condenado à prisão perpétua por quatro homicídios e por cumplicidade em outros assassinatos no final dos anos 1970.</p><p>Viveu por 15 anos no exílio na França, protegido pelo governo socialista de François Mitterrand, onde se tornou um autor de sucesso de romances policiais.</p><p>Depois de um período no México, retornou à França, mas, em 2004, viu-se obrigado a sair deste país: os ventos políticos mudaram. Refugiou-se clandestinamente no Brasil, antes de ser preso no Rio de Janeiro em 2007.</p><p>Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou sua extradição para a Itália após um longo processo judicial com uma estada na prisão. No último dia de seu mandato, Lula outorgou a Battisti o “status” de refugiado político.</p><p>Battisti se casou com uma brasileira, com quem teve um filho em 2013.</p><p>Em 13 de dezembro passado, o Supremo Tribunal Federal ordenou sua prisão “para ser extraditado”.</p><p>A extradição foi assinada no dia seguinte pelo então presidente, Michel Temer, mas as autoridades brasileiras perderam seu rastro.</p><p>Por meio da geolocalização de celulares, usados para se conectar às redes sociais, ele foi detectado em Santa Cruz de la Sierra, onde as polícias boliviana e italiana prepararam sua prisão, efetivada em 12 de janeiro.</p><p>Ele havia solicitado o “status” de refugiado político na Bolívia, mas o governo de Evo Morales não deu prosseguimento ao pedido.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense