Cesare Battisti chega a Roma e é levado para prisão

<p>Cesare Battisti, o ex-ativista de extrema esquerda condenado por quatro assassinatos e expulso da Bolívia no domingo (13), onde se refugiou depois de ficar no Brasil por uma década, chegou à Itália nesta segunda-feira (14) para cumprir uma pena de prisão perpétua.</p><p>O avião pousou às 11h36 locais (8h36 de Brasília) no aeroporto romano de Fiumicino, onde os ministros do Interior, Matteo Salvini, e o ministro da Justiça, Alfonso Bonafede, esperavam por ele junto com mais de 100 jornalistas.</p><p>Battisti, de 64 anos, desceu do avião sorrindo e sem usar algemas, escoltado por cerca de dez policiais que imediatamente o levaram, em meio a um importante dispositivo de segurança, para a prisão de Rebibbia, em Roma.</p><p>Uma foto divulgada pelas autoridades italianas mostram o fugitivo sentado no avião, com aparência tranquila, e com um cobertor sobre as pernas.</p><p>O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, e seu colega da Justiça, Alfonso Bonafede, estavam no aeroporto.</p><p>”Em nome dos 60 milhões de italianos, quero agradecer às forças de segurança por este presente, esta esperança, esta certeza, esta confiança renovada na justiça. O clima mudou, quem erra tem que pagar, a Itália é um país soberano, livre, respeitado, respeitoso”, declarou Salvini.</p><p>- ‘Só o começo’ -</p><p>”Depois de 37 anos, finalmente, um assassino, um delinquente, uma pessoa infame, um covarde que nunca pediu perdão, terminará onde deveria estar. E não eé o fim, é apenas o começo”, acrescentou, evocando “as dezenas” de outros atores dos “anos de chumbo” ainda foragidos na França ou na América Latina.</p><p>”Dizemos ao mundo que ninguém pode evitar a justiça italiana”, insistiu Bonafede.</p><p>- Criminoso e arrogante -</p><p>Na Itália, a detenção de Battisti foi comemorada de forma unânime, tanto pela direita quanto pela esquerda, em particular porque o ex-líder dos Proletários Armados para o Comunismo (PAC) alega inocência e nunca manifestou arrependimento.</p><p>”Um criminoso e um arrogante”, comentou Nicola Zingaretti, principal candidato à presidência do Partido Democrata (PD, centro esquerda), reivindicando a mesma dureza contra os militantes fascistas que têm voz na Itália nos últimos tempos.</p><p>Em um comunicado divulgado à noite, o ministro italiano das Relações Exteriores, Enzo Moavero Milanesi, agradeceu às autoridades bolivianas e brasileiras por sua colaboração.</p><p>Battisti foi condenado pela primeira vez na virada dos anos 1980 a 13 anos de prisão por pertencer ao PAC, um pequeno grupo de extrema esquerda particularmente ativo no fim da década de 1970 e considerado “terrorista” por Roma.</p><p>Depois de fugir em 1981, foi condenado à revelia à prisão perpétua por quatro homicídios e cumplicidade em outros assassinatos.</p><p>Depois de passar quase 15 anos na França – o então presidente François Mitterrand havia prometido não extraditar ex-militantes que tivessem renunciado à luta armada -, foi obrigado a deixar o país em 2004, uma vez que os ventos políticos haviam mudado de direção.</p><p>Refugiou-se clandestinamente no Brasil, onde teve um filho com uma brasileira, paternidade com a qual também contava para se proteger legalmente de uma extradição.</p><p>Em 2010, o então presidente Luiz Ignácio Lula da Silva negou sua extradição para a Itália. No último dia de seu mandato, Lula concedeu ao fugitivo o status de refugiado político.</p><p>O nascimento do filho no país era um dos argumentos usados por sua defesa para impedir sua extradição, como ele próprio explicou à AFP em entrevista concedida em 2017 em sua casa em Cananeia, com o pequeno sentado ao seu lado.</p><p>A Justiça brasileira toma, porém, decisões contraditórias. Em 2015, uma juíza da 20ª Vara Federal do Distrito Federal determinou a deportação de Battisti. No mesmo ano, ele se casa com outra brasileira, Joice Lima, em um camping de Cananeia.</p><p>Dois anos depois, é detido em Corumbá (MS), na fronteira da Bolívia, acusado de querer fugir, e foi mantido monitorado com tornozeleira eletrônica por quatro meses.</p><p>Com a eleição, em outubro passado, do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, que prometeu extraditá-lo, Battisti voltou à clandestinidade após 40 anos de fuga.</p><p>Em 13 de dezembro, um juiz do Supremo Tribunal Federal ordenou sua prisão para ser extraditado. A ata de extradição foi assinada no dia seguinte pelo presidente Michel Temer, a quem Jair Bolsonaro sucedeu em 1º de janeiro.</p><p>Mas as autoridades brasileiras perderam seu rastro.</p><p>Segundo uma fonte do governo boliviano, Battisti entrou no país “ilegalmente”.</p><p>Usando a geolocalização de telefones celulares de pessoas próximas, ele foi detectado na semana passada em Santa Cruz, onde as polícias boliviana e italiana prepararam sua prisão.</p><p>Ele havia solicitado o status de refugiado político na Bolívia, mas o governo de Evo Morales não deu razão ao seu pedido.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense