China dá apoio crucial à Venezuela, asfixiada pela crise

<p>O presidente Nicolás Maduro assinou acordos bilionários de energia e mineração nesta sexta-feira (14), em Pequim, um novo e crucial apoio da China à Venezuela, em meio à pior crise econômica de sua história moderna.</p><p>Maduro foi recebido com honras militares pelo presidente chinês, Xi Jinping, que garantiu que seu governo apoiava “os esforços (de Caracas) para alcançar um desenvolvimento nacional estável”, segundo a emissora pública CCTV.</p><p>A China “está disposta a reforçar a troca de experiência com a Venezuela sobre a forma de governar o país”, declarou Xi.</p><p>Mais cedo, o líder venezuelano homenageou o “gigante” Mao Tsé-Tung, reverenciando o corpo mumificado do fundador da China comunista.</p><p>”Me senti muito comovido, porque realmente é recordar de um dos grandes fundadores do que já é o século XXI multipolar”, um “gigante da pátria humana” e “um gigante das ideias revolucionárias”, disse Maduro, em declarações divulgadas pela rede venezuelana VTV.</p><p>Poucos dirigentes estrangeiros visitaram o mausoléu de Mao, cujo poder de 1949 até sua morte, em 1976, foi marcado por milhões de mortos, pela fome do “Grande Salto Adiante” e pela repressão e violência da “Revolução Cultural”.</p><p>O ex-presidente cubano Raúl Castro foi o último a passar pelo monumento, em 2005.</p><p>- China, ‘a irmã mais velha'</p><p>Na sequência, Maduro se reuniu com o chanceler chinês, Wang Yi, para a assinatura de 28 acordos.</p><p>”São milhões de dólares em investimentos para tornar realidade o desenvolvimento das nossas empresas mistas no campo petroleiro”, explicou Maduro.</p><p>”Estamos avançando (…) no processo de produção conjunta de petróleo para o benefício compartilhado”, acrescentou.</p><p>Esses protocolos de acordo incluem uma cooperação reforçada na exploração de gás na Venezuela, uma “aliança estratégica” na extração de ouro e o fornecimento de produtos farmacêuticos ao país sul-americano, em grave escassez.</p><p>Também buscam aumentar a produção do Cinturão do Orinoco (sudeste da Venezuela), que possui o maior reservatório de petróleo do mundo, detalhou a estatal venezuelana Pdvsa.</p><p>Para isso, foi referendado um convênio de serviços a fim de perfurar 300 poços, detalhou a petroleira.</p><p>A Venezuela, onde o petróleo representa 96% da receita nacional, enfrenta uma queda abrupta da produção, com 1,4 milhão de barris por dia em agosto, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).</p><p>É o nível mais baixo em 30 anos e está longe dos 3,2 milhões de 2008 – o que impediu que o país se beneficiasse da recente alta dos preços.</p><p>”Graças à sólida relação Venezuela-China (…), hoje a Venezuela está de pé, está batalhando e está em melhores circunstâncias do que jamais esteve”, afirmou o presidente sul-americano, que destacou que “a China é nossa irmã mais velha”.</p><p>- Êxodo</p><p>O gigante asiático tem fortes investimentos em petróleo e é o principal credor da Venezuela. Caracas já recebeu empréstimos chineses de 50 bilhões na última década.</p><p>A Venezuela deve ainda cerca de 20 bilhões de dólares, cujas condições de pagamento, flexibilizadas em 2016, podem estar sobre a mesa nesta viagem.</p><p>Maduro poderá voltar neste domingo com um novo crédito de 5 bilhões de dólares e a ampliação por seis meses do período de carência para o serviço da dívida, segundo informação extraoficial citada pela consultora venezuelana Ecoanalítica.</p><p>Diante da grave crise no país, com severa escassez de alimentos e de remédios, além de uma hiperinflação que pode passar de 1.000.000% de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), Maduro iniciou um polêmico plano de reformas econômicas no mês passado.</p><p>Entre as diversas medidas destacam-se um aumento salarial de 3.400%, uma desvalorização de 96% do bolívar e o aumento de impostos.</p><p>Maduro não viajava para o exterior desde o suposto atentado do qual disse ser alvo. Ele teria sido atacado em 4 de agosto passado com drones carregados de explosivos. Sua última visita à China data de março de 2017.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense