China rejeita críticas de Turquia sobre uigures e nega morte de poeta

<p>A China reagiu nesta segunda-feira (11) às críticas turcas sobre o tratamento dado aos uigures e negou a alegação de Ancara de que um renomado poeta desta minoria muçulmana tenha morrido sob custódia policial, chamando de uma “mentira absurda”.</p><p>No sábado, o Ministério turco das Relações Exteriores divulgou uma declaração criticando severamente as detenções em massa na China de seus uigures de língua turca, e indicou que o poeta Abdurehim Heyit havia morrido enquanto cumpria uma sentença de oito anos de prisão como punição por “uma de suas canções”.</p><p>Contudo, a China divulgou no domingo um vídeo mostrando um homem que se identificou como Heyit que dizia estar vivo e bem.</p><p>”A China já fez declarações solenes em relação à Turquia. Esperamos que os responsáveis turcos possam diferenciar o certo do errado e corrigir seus erros”, declarou a porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Hua Chunying, durante uma coletiva de imprensa.</p><p>Ela chamou a declaração do Ministério turco das Relações Exteriores de “vil” e urgiu que Ancara retire suas “falsas acusações”.</p><p>”Eu vi o vídeo dele (Heyit) na Internet ontem, mostrando que não está apenas vivo, mas também muito saudável”, disse Hua.</p><p>Um painel de especialistas da ONU disse que cerca de um milhão de uigures e outras minorias turcas têm sido colocados em “campos de reeducação” na região noroeste de Xinjiang, onde vivem a maior parte dos 10 milhões de uigures do país.</p><p>A Turquia afirmou que o tratamento dado pela China aos uigures era “um grande constrangimento para a humanidade” – talvez a mais forte condenação de um país muçulmano.</p><p>O mundo muçulmano tem se mantido quieto sobre a questão dos uigures, possivelmente para evitar retaliações diplomáticas ou econômicas chinesas.</p><p>O sofrimento dos uigures da China é acompanhado de perto na Turquia devido a ligações linguísticas, culturais e religiosas compartilhadas, além da presença de dezenas de milhares de uigures em seu país.</p><p>- Bem de saúde -</p><p>Em seu comunicado divulgado no sábado, a Turquia não informou como soube da morte de Heyit, mas disse que “a tragédia reforçou ainda mais a reação da opinião pública turca com relação às (sérias) violações aos direitos humanos” em Xinjiang.</p><p>Mas a Rádio Internacional da China (CRI, em inglês), controlada pelo Estado, divulgou um vídeo de 26 segundos em seu serviço turco no domingo.</p><p>”Meu nome é Abdurehim Heyit. Hoje é 10 de fevereiro de 2019″, diz o homem no vídeo, segundo as legendas em inglês.</p><p>”Estou em processo de investigação por supostamente violar as leis nacionais”, acrescentou, no que parecia ser a língua uigur.</p><p>Disse também estar bem de saúde e que nunca sofreu abusos, ainda de acordo com as legendas.</p><p>A AFP não pôde verificar imediatamente a autenticidade do vídeo ou quando foi filmado.</p><p>A CRI disse que o vídeo foi liberado para a mídia estatal pelo governo regional de Xinjiang.</p><p>Xinjiang tem sofrido com a intensificação da vigilância policial nos últimos anos, após repetidos tumultos, atentados a bomba e ataques a forças de segurança e civis chineses.</p><p>Inicialmente, Pequim negou a existência de quaisquer campos de detenção de Xinjiang, mas depois admitiu que pessoas estavam sendo enviadas para o que chama de “centros de educação vocacional”.</p><p>Mas os críticos dizem que os uigures estão sendo pressionados nos campos para se assimilarem à sociedade chinesa e abandonarem as práticas religiosas e culturais que Pequim vê como possíveis fontes de resistência.</p><p>A declaração do Ministério turco das Relações Exteriores indica que os uigures estão sendo “submetidos à tortura e lavagem cerebral política em centros de concentração e prisões”.</p><p>Hua, no entanto, parecia deixar a porta aberta para aliviar a tensão, dizendo que os dois lados deveriam se esforçar para manter a “confiança mútua e cooperação”.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense