Conselho suspende sessão que discutiria relatório sobre Cunha

Conselho suspende sessão que discutiria relatório sobre Cunha
Sessão foi suspensa após presidente da Câmara abrir votações no plenário.
Cunha é acusado de mentir sobre contas secretas no exterior; ele nega.
Conselho de Ética da Câmara se reuniu na manhã desta quinta-feira (19) (Foto: Fernanda Calgaro/G1)Conselho de Ética da Câmara se reuniu na manhã desta quinta-feira (19) (Foto: Fernanda Calgaro/G1)

O Conselho de Ética suspendeu, às 11h13 desta quinta-feira (19), a sessão marcada para a leitura e análise do relatório preliminar pela continuação do processo de investigação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Alvo da Operação Lava Jato, Cunha é investigado no colegiado por suposta quebra de decoro parlamentar porque teria mentido, em depoimento à CPI da Petrobras, ao dizer que não tem contas no exterior, além de não ter informado a existência dessas contas secretas.

Segundo a Procuradoria Geral da República, documentos comprovam que ele é dono das contas. Cunha, porém, afirma apenas ter o usufruto delas.

A sessão foi suspensa pelo presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), após Cunha abrir a ordem do dia no plenário da Câmara. De acordo com o regimento da Casa, nenhuma comissão pode deliberar enquanto as votações em plenário estiverem ocorrendo.

Após suspender a sessão, Araújo informou que retomaria os trabalhos tão logo a ordem do dia fosse encerrada.

A sessão
Marcada para as 9h30, a sessão correu o risco de não ser realizada por falta de quórum. Após atingido o número mínimo de dez integrantes, deputados aliados do presidente da Casa apresentaram uma série de questionamentos numa tentativa de postergar a reunião até a abertura das votações no plenário principal da Câmara.

Pelo regimento, as comissões não podem deliberar enquanto a chamada Ordem do Dia estiver em curso.

O deputado André Moura (PSC-SE), um dos parlamentares mais próximos de Cunha, pediu o encerramento da sessão alegando que o quórum necessário para abertura dos trabalhos havia sido atingido após o prazo determinado no regimento.

O presidente do conselho, no entanto, ponderou que o quórum havia sido atingido e deu continuidade à sessão.

Em seguida, outro parlamentar aliado do presidente da Câmara, deputado Manoel Júnior (PMDB-PB), pediu a leitura da ata da sessão anterior. No entanto, Araújo argumentou que a ata não havia ficado pronta e, portanto, não seria possível a sua leitura.

Houve um princípio de bate-boca entre os presentes. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) criticou Manoel Júnior por apresentar a questão de ordem sem nem ter registrado a sua presença no painel eletrônico.

“Vossa excelência não está presente. Nem sequer marcou presença. O senhor fez questão de ordem infundamentada”, afirmou Delgado. Manoel Júnior rebateu dizendo que já estava presente no plenário e que estava registrando a presença.

Fracassada a primeira tentativa de encerrar a sessão, Manoel Júnior apresentou outra questão de ordem alegando que o deputado Júlio Delgado não deveria participar do colegiado argumentando que ele não teria “isenção” para votar no caso. No início do ano, Delgado foi um dos candidatos que disputaram a presidência da Câmara com Cunha.

O deputado Betinho Gomes (PSDB-PE) interveio e saiu em defesa de Delgado. Na semana passada, o PSDB mudou a sua posição em relação ao Cunha e endureceu o discurso a favor do seu afastamento.

Betinho argumentou, então, que se fosse para declarar Delgado impedido, que o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), conhecido como Paulinho da Força, um dos principais defensores de Cunha, fosse declarado impedido já que havia declarado seu voto a favor do presidente da Casa. Paulinho rebateu dizendo que não se tratava da mesma situação.

“Isso é uma tentativa de golpe contra essa comissão”, acusou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR), partido que até há algumas semanas apoiava Cunha, mas decidiu se afastar após o agravamento das denúncias contra o peemedebista.