Delegado da Lava Jato que investiga Palocci reclama de acúmulo de funções

<p>O delegado de Polícia Federal Filipe Hille Pace, da Operação Lava Jato em Curitiba, afirmou que enfrenta acúmulo de funções e atraso na realização de diligências por falta de um escrivão. A equipe de Pace investiga, entre outros inquéritos, os desdobramentos da delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.</p><p>Em despacho encaminhado nesta quinta-feira, 8, à Justiça Federal e ao Ministério Público Federal, Pace afirma que a sua equipe se encontra sem um escrivão desde o dia 5 de agosto. Por esse motivo, afirma, os agentes precisaram “extrapolar suas funções, executando atos de atribuição de escrivão” em duas situações.</p><p>”A primeira diz respeito aos atos praticados para elaboração de relatório acerca das diligências produzidas em virtude da colaboração premiada de Antonio Palocci Filho e que, por ordem do excelentíssimo desembargador João Pedro Gebran Neto (relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região), deveria ser produzido após 90 dias da homologação”, afirma Pace.</p><p>O acordo do ex-ministro de Lula, preso e condenado na Lava Jato, foi homologado em junho por Gebran Neto. O relatório produzido pela delação deveria ficar pronto até meados de setembro.</p><p>”A segunda diz respeito a investigações sigilosas e com diligências em andamento que não poderiam ser cessadas mesmo com a ausência de escrivão de Polícia Federal”, ponderou o delegado.</p><p>Pace afirma que a reclamação já havia sido encaminhada pessoalmente ao chefe da Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor), que absorveu a equipe após o encerramento dos grupos de investigações especiais da Lava Jato, em julho do ano passado. À época, um escrivão foi deslocado para o grupo, mas este foi afastado por permuta para outra unidade da PF.</p><p>”Desde então, esta Autoridade Policial buscou reiteradamente a designação de outro Escrivão da Polícia Federal, ainda que em caráter provisório, para atuação nos inquéritos”, afirma Pace. Segundo ele, alguns escrivães foram deslocados temporariamente para dar suporte à equipe de investigação.</p><p>Pace diz ainda que, ao saber da situação, a Delegacia Regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Decor) emitiu memorando afirmando que “alguns fatores contribuíram de maneira decisiva para a desestruturação dos grupos de investigações”.</p><p>”Número crescente de aposentadorias, disseminação de investigações semelhantes em todo o País e, mais diretamente, o indeferimento de diversos recrutamentos policiais solicitados por esta regional”, informa o memorando.</p><p>A falta de escrivão, que neste momento está sendo suprida por um escrivão emprestado temporariamente à equipe por 60 dias a contar de 22 de outubro, obrigou a equipe a adiar para janeiro uma missão policial agendada para o mês passado.</p><p>”Considerando que a presente investigação, assim como quase todas as demais presididas por esta autoridade policial, encontra-se vencida, principalmente pela ausência de apoio cartorário para cumprimento de despachos, instrumento pelo qual se dá o necessário impulso procedimental, fizeram-se necessários os esclarecimentos acima”, justifica o delegado.</p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense