Disparos israelenses matam dois palestinos em Gaza, apesar da trégua

<p>Dois palestinos morreram nesta sexta-feira (10) na Faixa de Gaza, atingidos por disparos de soldados israelenses durante manifestações e enfrentamentos na fronteira, apesar da frágil trégua acordada entre o Hamas e Israel.</p><p>Os protestos desta sexta são considerados uma prova das intenções do movimento islamita Hamas, que dirige a Faixa de Gaza, e de seus aliados palestinos, depois de uma volta da escalada da violência na véspera.</p><p>Dois mil palestinos protestaram e queimaram pneus ao leste da cidade de Gaza, constatou um jornalista da AFP. Junto com outras três concentrações em pontos diferentes da fronteira, no total deslocaram-se alguns milhares de pessoas, menos que durante outras mobilizações anteriores, nas quais se concentraram dezenas de milhares de moradores de Gaza.</p><p>Os confrontos com os soldados israelenses na hermética cerca de segurança foram igualmente limitados, mas dois palestinos morreram atingidos por disparos israelenses.</p><p>Um socorrista de uns 20 anos, Abdallah al Qatati, faleceu após ter sido atingido no peito ao leste de Rafah, sul da Faixa de Gaza, em circunstâncias não esclarecidas. Trata-se do segundo socorrista morto por disparos israelenses desde 30 de março.</p><p>Um segundo palestino, Ali al Alul, de 55 anos, também morreu no mesmo setor, atingido por disparos israelenses.</p><p>O ministério da Saúde local divulgou um balanço de 40 feridos por fogo israelense ao longo da fronteira.</p><p>Desde 30 de março, a fronteira é o cenário de uma mobilização contra o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza há mais de dez anos e pelo retorno dos palestinos expulsos ou que fugiram de suas terras com a criação de Israel, em 1948.</p><p>Desde então, as tensões em Gaza não pararam de aumentar, o que faz temer uma quarta guerra entre Israel e Hamas desde 2008.</p><p>Os soldados israelenses mataram pelo menos 166 palestinos de Gaza desde então. Um soldado israelense morreu em 20 de julho, o primeiro desde 2014.</p><p>- Exigências e pressões -</p><p>O enclave palestino, situado entre Israel, Egito e o Mediterrâneo, onde dois milhões de pessoas enfrentam o bloqueio e a pobreza, viveu nesta quarta e quinta-feira um dos confrontos mais graves desde a guerra de 2014.</p><p>Mais de 180 foguetes e obuses de morteiro foram disparados da Faixa de Gaza para Israel, provocando vários feridos e empurrando os israelenses para os abrigos.</p><p>A Força Aérea israelense respondeu bombardeando 150 posições militares do Hamas, o movimento islamita que controla a Faixa de Gaza.</p><p>Três palestinos, entre eles uma grávida de 23 anos e sua filha de 18 meses, morreram nestes ataques.</p><p>Trata-se do terceiro teste de forças significativo desde julho.</p><p>Israel e Hamas aceitaram na noite de quinta-feira um cessar-fogo nas negociações indiretas com a mediação do Egito e das Nações Unidas, informou uma fonte próxima às negociações. Nem Israel, nem o Hamas deram nenhuma confirmação oficial. Mas a noite e a manhã transcorreram em calma.</p><p>O estado de emergência continua elevado, e a ONU e o Egito trabalham por um cessar-fogo duradouro.</p><p>Gaza e Israel estão “perigosamente perto” de um novo conflito, advertiu nesta sexta-feira a União Europeia.</p><p>Nem Israel, nem o Hamas parecem querer a guerra. O jornal israelense Maariv assegurou que durante a reunião do gabinete de segurança, na quinta-feira, o ministro da Defesa, Abigdor Lieberman, foi o único a reivindicar uma operação importante em Gaza, opondo-se, assim, à opinião do premiê, Benjamin Netanyahu, e dos militares.</p><p>O resultado dos esforços diplomáticos da ONU e do Egito continua sendo, levando-se em conta as exigências dos dois lados e suas respectivas pressões.</p><p>Segundo uma pesquisa publicada nesta sexta pelo Maariv, 64% dos israelenses não estão satisfeitos com a atuação de Netanyahu com relação ao Hamas, contra 29% favoráveis. Quarenta e oito por cento das pessoas consultadas são favoráveis a uma operação militar de envergadura em Gaza, e 41% se dizem contrárias a esta opção.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense