Extremista se apresenta à Justiça após massacre na Nova Zelândia

<p>Um extremista de direita que filmou a si próprio invadindo duas mesquitas na pacata cidade neozelandesa de Christchurch, onde matou 49 fiéis muçulmanos, se apresentou à Justiça neste sábado (noite de sexta, 15, no Brasil) para responder por homicídio.</p><p>O australiano Brenton Tarrant, de 28 anos, apareceu no banco dos réus usando algemas e uma camisa branca de presidiário, sentado impassível enquanto o juiz lia a acusação de um homicídio feita contra ele. Uma série de outras acusações ainda devem ser apresentadas.</p><p>O ex-instrutor de ginástica e fascista confesso ocasionalmente se voltava para olhar os jornalistas presentes na corte durante a curta audiência que foi celebrada a portas fechadas por motivos de segurança.</p><p>Ele não pediu fiança e foi levado sob custódia até a próxima aparição na corte, prevista para 5 de abril.</p><p>Quarenta e duas pessoas ainda estão hospitalizadas, inclusive uma criança de quatro anos, depois de um ataque considerado o mais mortal vinculado a muçulmanos no Ocidente na era moderna.</p><p>Do lado de fora da corte, guardada por policiais fortemente armados, os filhos do afegão 71 anos Daoud Nabi pediam justiça.</p><p>”É revoltante, o sentimento é de revolta”, disse um deles. “É além da imaginação”, acrescentou.</p><p>A primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, disse que as vítimas eram de todo o mundo muçulmano, e que entre os países que prestaram assistência consular estavam Turquia, Bangladesh, Indonésia e Malásia.</p><p>Um cidadão saudita foi morto e outro ficou ferido, segundo a emissora de TV saudita Al-Arabiya.</p><p>Ao menos dois jordanianos estão entre os falecidos, segundo o ministério das Relações Exteriores da Jordânia, enquanto o porta-voz da chancelaria paquistanesa, Mohammed Faisal, disse que cinco cidadãos de seu país estavam desaparecidos.</p><p>Ardern descreveu o massacre como um ato terrorista e disse que o atirador – que não constava de nenhuma lista de vigilância e não tinha registro policial – havia comprado legalmente as armas semiautomáticas usadas no ataque, duas espingardas e dois rifles semiautomáticos.</p><p>”O atacante estava em posse de uma licença para arma de fogo”, obtida em novembro de 2017, e ele começou a comprar as armas no mês seguinte, afirmou ela.</p><p>”Enquanto está sendo feito o trabalho de construção da cadeia de eventos que levou tanto à obtenção desta licença, quanto da posse destas armas, eu posso dizer-lhes uma coisa agora: nossa legislação sobre armas vai mudar”, prometeu a premiê.</p><p>O suspeito documentou sua radicalização e os dois anos de preparativos para o ataque em um longo e rebuscado ‘manifesto’, repleto de ideias conspiratórias.</p><p>A chocante filmagem que ele fez ao vivo mostra um atirador implacável indo de sala em sala, matando uma vítima de cada vez, atirando nos feridos à curta distância enquanto eles tentavam rastejar para longe na principal mesquita de Christchurch.</p><p>Outras duas pessoas estão sob custódia, embora seus vínculos com o massacre sejam desconhecidos. Uma terceira pessoa que havia sido detida mais cedo foi apontada como alguém comum com arma de fogo que tentou ajudar.</p><p>Dois dispositivos explosivos improvisados foram encontrados em um carro e neutralizados pelos militares, enquanto a Polícia realizou buscas em uma residência em Dunedin, onde Ardern disse que o suspeito estava baseado.</p><p>- ‘Massacre horrível’ -</p><p>Homenagens vieram de todas as partes do mundo.</p><p>O presidente americano, Donald Trump, condenou o que chamou de “massacre horrível”, no qual “pessoas inocentes foram assassinadas de forma insensível”, mas negou que o problema do extremismo de direita seja generalizado.</p><p>Falando de Sydney, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, descreveu o atirador como “um extremista, um terrorista de direita violento”.</p><p>Os dois alvos do atirador foram as mesquitas Masjid al Noor, onde 41 pessoas foram mortas, e uma menor, situada no subúrbio de Linwood, onde outras sete pessoas faleceram. As outras vítimas não resistiram aos ferimentos e morreram no hospital.</p><p>Entre os mortos, há mulheres e crianças, segundo informes.</p><p>Entre os sobreviventes estão 17 membros de um time de críquete de Bangladesh, cuja partida contra a Nova Zelândia no sábado foi adiada, e um palestino que fugiu e conseguiu se salvar após ver uma vítima ser baleada na cabeça.</p><p>”Eu ouvi três disparos rápidos, e então depois de dez segundos começou de novo”, contou o homem, que não quis ser identificado.</p><p>”Então, as pessoas começaram a correr. Algumas, cobertas de sangue”, relatou à AFP.</p><p>A Polícia neozelandesa descreveu a filmagem feita pelo assassino – cuja autenticidade foi verificada pela AFP, mas não compartilhado – como “extremamente angustiante” e alertou usuários da internet de que podem ser condenados a até dez anos de prisão por compartilhar este conteúdo.</p><p>O ataque chocou os neozelandeses, acostumados com índices de violência de 50 homicídios ao ano em todo o país, de 4,8 milhões de habitantes, orgulhoso de viver em um lugar seguro e receptivo.</p><p>A Polícia alertou muçulmanos de todo o país a não visitar mesquitas “em nenhum lugar da Nova Zelândia” após os ataques em Christchurch. Sexta-feira é o dia santo para os muçulmanos.</p><p>- ‘Corpos por toda a parte’ -</p><p>O ataque também chocou a população muçulmana local, formada em grande parte por refugiados.</p><p>Uma testemunha contou ao site noticioso Stuff que estava rezando quando ouviu os tiros e então viu sua esposa caída morta enquanto fugia.</p><p>Outro homem contou ter visto crianças ser baleadas.</p><p>”Havia corpos por toda parte”, contou.</p><p>Ataques maciços a tiros são muito raros na Nova Zelândia, que tornou mais duras suas leis para armas para restringir o acesso a rifles semiautomáticos em 1992, dois anos depois de um homem com problemas mentais matar 13 pessoas a tiros na cidade de Aramoana, na Ilha Sul.</p><p>No entanto, qualquer pessoa acima dos 16 anos pode aplicar para tirar uma licença padrão para armas de fogo após fazer um curso de segurança e se submeter a uma checagem da Polícia.</p><p>Christchurch, uma cidade relativamente pequena na ilha sul neozelandesa, ocupou as manchetes dos jornais em 2011, quando foi atingida por um terremoto mortal, que deixou mais de 180 mortos.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense