Governo e oposição da Venezuela negociam em Oslo

<p>Representantes do governo e da oposição da Venezuela realizam esta semana “negociações de paz” em Oslo, após meses de violência – informa a radiotelevisão pública norueguesa NRK.</p><p>É a segunda vez que acontecem negociações desse tipo na capital norueguesa entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição de Juan Guaidó, declarado presidente interino em janeiro e reconhecido como tal por mais de 50 países, afirma a NRK.</p><p>”Não podemos confirmar nem desmentir o envolvimento norueguês em processos de paz, ou iniciativas de diálogo”, disse à AFP Ane Haavardsdatter Lunde, uma porta-voz da diplomacia.</p><p>Também segundo a NRK, as negociações acontecem há “vários dias” em um lugar secreto e terminam nesta quinta.</p><p>Vários veículos de imprensa latino-americanos, como o jornal “ALnavío”, disseram que estas negociações se dão após o fracasso da rebelião de um reduzido grupo de militares em 30 de abril, liderada por Guaidó.</p><p>Ainda não se vazou nenhuma informação sobre o alcance e o resultado das negociações de Oslo.</p><p>Diferentes jornais apontam que, do lado do governo, participam das discussões o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, e o governador do estado de Miranda, Héctor Rodríguez. A oposição está representada pelo ex-deputado Gerardo Blyde, o ex-ministro Fernando Martínez Mottola e o vice-presidente da Assembleia Nacional, Stalin González.</p><p>- ‘Otimismo prudente’ -</p><p>Várias declarações tendem a confirmar que essas negociações estejam, de fato, acontecendo.</p><p>”Jorge Rodríguez não está na Venezuela neste momento (…) Jorge Rodríguez está cumprindo uma missão no exterior, muito importante”, declarou o presidente Maduro nesta quarta-feira.</p><p>”Reiteramos: Grupo de Contato, Canadá, Reino Unido, Noruega, Grupo de Lima, além de outras iniciativas, nos apoiam para conseguir uma solução para a crise. Para os venezuelanos, a rota é clara e a mantemos: fim da usurpação, governo de transição e eleições livres”, tuitou Guaidó.</p><p>A ministra norueguesa das Relações Exteriores, Ine Eriksen SØreide, afirmou em janeiro que seu país estava “disposto a contribuir sempre e desde quando as partes desejarem”.</p><p>As informações sobre as negociações foram recebidas com prudência pelos especialistas noruegueses em questões sul-americanas.</p><p>”É perigoso lhes conceder muita importância”, afirmou Benedicte Bull, professora da Universidade de Oslo. “É muito positivo que as duas partes discutam, mas é importante não alimentar esperanças excessivas”, ressaltou.</p><p>”Houve discussões formais em três ocasiões no passado, e fracassaram rapidamente”, disse à AFP. “Dito isso, a situação é verdadeiramente crítica, e é importante que se faça algo”, acrescentou.</p><p>O professor da Universidade de Bergen, Leiv Marsteintredet, também se mostrou prudente: “Estamos em uma etapa precoce, e acho que é muito pouco realista esperar resultados rápidos”.</p><p>”Mas, que as duas partes queiram falar, é uma mudança recente que pode justificar um otimismo prudente”, afirmou.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense