Há 83 anos, Rádio Nacional ajuda a formar a identidade e a cultura brasileiras

Em 12 de setembro de 1936, Celso Guimarães anunciava a entrava no ar da Rádio Nacional, com o prefixo PRE-8, a Rádio Nacional em 980 khz.

 

Para todos os públicos, de todas as preferências, da política à radionovela, da música clássica e popular ao futebol. Aos 83 anos, a emissora que carrega no nome o próprio país tem muita história para contar.

 

A voz é de Paulo Tapajós, apresentando na Nacional o programa Quando Canta o Brasil, em 1953. O jornalista e sociólogo Bruno Filipo destaca que a emissora é espinha dorsal na comunicação brasileira.

 

“É impossível falar em comunicação no Brasil sem falar em Rádio Nacional. O amplo domínio que ela obteve na era do rádio fez dela uma referência para todas as emissoras do Brasil. Pelas ondas curtas o Brasil inteiro conseguiu ouvir o que a Nacional produzia. Se pensarmos nessa influência que a Rádio nacional exerceu, tudo o que se faz ainda hoje na televisão, por exemplo, vem do que o rádio fez – e principalmente do que a Rádio Nacional fez – lá atrás, na era do rádio. As novelas, programas de auditório, transmissão de futebol”.

 

O apresentador da Rádio Tupi, Washington Rodrigues, o Apolinho, que também teve em seu currículo a Rádio Nacional, expressa como a Rádio conquistou a dimensão que carrega no nome.

 

“A gente no futebol sempre diz ter um clube do coração – o meu é o Flamengo. Minha rádio do coração é a Nacional. E eu espero que a Rádio Nacional se revitalize, que ela volte a brigar pela liderança. Como sempre foi, o primeiro lugar. A Nacional era líder no Brasil inteiro. O Futebol do Rio de Janeiro, por exemplo; Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, América, Bangu, se tornaram grandes clubes de ressonância nacional e internacional através dela. Na época não havia televisão, e a Nacional dominava o país inteiro. E as pessoas passaram a gostar do futebol do Rio por meio da emissora”.

 

A história se faz também com muita participação popular. Apresentador de um dos queridos programas da emissora e ainda no ar, o radialista Adelzon Alves destaca que a Nacional continua mais viva do que nunca.

 

“A Rádio Nacional todo mundo sabe que foi a maior emissora da América do Sul, e hoje faz um trabalho procurando recuperar esse espaço. E toda a equipe está empenhada em fazer dela a melhor emissora do Rio de Janeiro – e até, quem sabe, do Brasil”.

 

Com muito espaço para a cultura popular, o samba teve seu espaço garantido inclusive nos programas de auditório, no edifício A Noite, na praça Mauá. A cantora Dorina, que manteve um programa dedicado ao samba na Rádio por dez anos, ressalta a contribuição da emissora para a cultura nacional.

 

“Ver a cultura, a música como um ponto importante para unir o Brasil, foi isso que a Rádio Nacional fez. Então fico muito feliz de ver a Nacional ainda presente na vida dos brasileiros. Salve a nossa música brasileira, salve a Rádio Nacional”.

 

Do histórico edifício A Noite, na Praça Mauá, aos atuais estúdios, na Lapa, a Rádio Nacional foi registrando a memória, a política e a cultura do país, encurtando distâncias inclusive além-mar. Em 1945, mensagens dos pracinhas brasileiros que lutavam na segunda guerra, na Itália, foram lidas na emissora.

 

E, hoje, a informação continua sendo marca na emissora, com integração das equipes de jornalismo no Rio, Brasília e São Paulo.

 

Se a Nacional é patrimônio do Brasil, a emissora sempre contou com nomes que são patrimônio da cultura do país. Cabe a um deles, o baluarte do samba, Rubem Confete, que ainda hoje encanta os ouvintes da Nacional, fazer as honras dos parabéns a essa senhora Rádio.

 

“A contribuição da Rádio Nacional na formação da sociedade brasileira foi fundamental. E eu, com 82 anos nos dias atuais, lembro bem dos programas de auditório, tudo o que havia na Nacional e que era transmitido para todo o Brasil. Que contribuição! Rádio Nacional, 83 anos”.

Fonte: Rádio EBC