Inflação e desemprego são sintomas de esgotamento, diz Levy

Inflação e desemprego são sintomas de esgotamento, diz Levy
O ministro Joaquim Levy (Fazenda) afirmou, nesta quinta-feira (19), que inflação e desemprego em alta são sintomas do esgotamento do ciclo de crescimento da década passada somado ao processo de reformas que o governo promove.

Brazil's Finance Minister Joaquim Levy, participates in the inauguration ceremony of the new adviser for National Council of the Public Ministry Valter Shuenquener, at the National Council of the Public Ministry in Brasilia, Brazil, November 10, 2015. REUTERS/Ueslei Marcelino ORG XMIT: BSB02

“É um momento de transição, a gente está acertando o Brasil para enfrentar a nova realidade global, a mudança dos preços das commodities, que ajudaram muito o Brasil no passado. Como disse a presidente [Dilma Rousseff] no início do ano, algumas medidas feitas em anos anteriores se esgotaram. Não tinha como continuar por ali. E toda a vez que você faz um movimento, que você conserta as coisas, durante um certo período, você está em obras e as coisas parecem bastante difíceis”, afirmou a jornalistas depois de falar a investidores em um evento do banco Bradesco BBI, em Nova York.

“Eu acho que a gente tem que fazer como nos aeroportos, quando constroem. Acho que a gente tem que dizer um pouco assim: ‘Desculpe o transtorno, mas estamos trabalhando para melhorar o serviço, para melhorar o Brasil.'”

Levy minimizou especulações sobre sua saída do governo e a fala do ex-presidente Lula, segundo quem “o Levy e o ministro da Fazenda é um problema da presidenta Dilma”.

“Eu vejo com naturalidade. Ele estava querendo dizer que ele tem os problemas dele e a presidente tem as questões dela. Isso me parece perfeitamente natural. As pessoas gostam de botar intenções nele, acham que ele faz isso e faz aquilo e esquecem as muitas coisas que ele fez”, disse Levy.

O ministro elogiou medidas de Lula, “realizações extraordinárias”, e citou o Bolsa Família. “Naquela época [2003], eu pensei, ‘dinheiro muito bem gasto no Bolsa Família’, e transformou o Brasil.'”

Ele disse que, “sim”, está confortável no governo. “Eu estou tranquilo. O importante são as políticas, fazer as coisas para acabar a obra. Todo mundo dizia que não ia ter aeroporto. O governo tomou as decisões, fez as concessões, passou uns meses em obra. Hoje, olha os aeroportos que o Brasil tem. Então, é assim, hoje a gente trabalha, está nas obras, tem um bom arquiteto. No final vai ficar bacana.”