Julgamento político de Trump ganha espaço entre democratas nos EUA

<p>As discussões no Partido Democrata sobre um eventual “impeachment” se intensificaram nesta terça-feira (21) depois que Don McGahn, ex-advogado de Donald Trump, se negou a depor sobre as acusações de obstrução da justiça feitas contra o presidente dos Estados Unidos.</p><p>Líderes democratas na Câmara de Representantes têm sofrido pressão de colegas e companheiros de partido para relançar os esforços para um julgamento político depois que a Casa Branca voltou a atravancar a investigação parlamentar sobre a conivência da equipe de campanha do então candidato republicano com a Rússia nas eleições de 2016.</p><p>Irritados pela ausência de McGhan, nesta terça-feira, em uma convocação no Congresso, legisladores democratas ameaçaram levar o caso aos tribunais.</p><p>McGahn, que entregou ao procurador especial Robert Mueller indícios de que Trump tentou torpedear a investigação de um suposto conluio russo, faltou à convocação da Comissão Judicial da Câmara de Representantes após ser instruído pela Casa Branca.</p><p>A negativa de McGahn de comparecer perante o Comitê Judicial foi a mais recente de uma série de manobras da Casa Branca para frustrar as investigações da Câmara, controlada pelos democratas.</p><p>Na noite desta terça, os democratas anunciaram uma nova convocação: a de Hope Hicks, ex-assessora de Trump, a quem consideram uma testemunha-chave para suas investigações sobre o presidente.</p><p>Hicks deve entregar documentação antes de 4 de junho e se apresentar em uma audiência pública em 19 de junho perante o Comitê Judicial.</p><p>Outra ex-funcionária da Casa Branca, Annie Donaldson, chefe de gabinete de Don McGhan, também seria convocada pelos democratas para se apresentar perante o Comitê Judicial em 24 de junho em uma audiência pública.</p><p>Referindo-se ao ex-advogado de Trump, a Casa Branca assegura que um ex-assessor presidencial não pode ser obrigado legalmente a depor.</p><p>O presidente do Comitê Judicial da Câmara, Jerry Nadler, não concorda com esta argumentação.</p><p>”Nossas convocações não são opcionais”, afirmou.</p><p>”Permitam-me ser claro: este comitê escutará o testemunho do senhor McGahn, inclusive se tivermos que recorrer aos tribunais para garanti-lo”, advertiu.</p><p>- Fúria -</p><p>A porta-voz do Executivo, Sarah Sanders, disse na segunda que a investigação de Mueller sobre o suposto conluio de Trump com a Rússia isentou o presidente, razão pela qual não seria necessário continuar com os depoimentos.</p><p>A Casa Branca apelou nesta terça-feira de uma ordem da Corte federal para que os contadores de Trump entreguem suas declarações de impostos a outro comitê da Câmara.</p><p>Também negou-se a entregar ao Congresso uma versão completa do relatório de Mueller e os documentos vinculados à investigação.</p><p>Diante desta série de atitudes da Presidência, deputados da oposição voltaram à carga para levar Trump a julgamento.</p><p>”Devemos iniciar uma investigação para um julgamento político”, declarou o representante Mark Pocan, um dos líderes da ala progressista do Partido Democrata.</p><p>”Temos que fazer nosso trabalho e nos pronunciar sobre o impeachment”, tuitou a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez.</p><p>A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, que até agora havia rechaçado esta opção, programou uma reunião para a quarta-feira para discutir o tema.</p><p>O presidente da Comissão Judicial da Câmara dos Deputados, Jerry Nadler, disse que cada um dos incidentes que McGahn descreveu no informe de Mueller “constituíram um delito” e que o ex-assessor tem que testemunhar no Congresso.</p><p>- À sombra de 2020 -</p><p>Nadler deixou claro, no entanto, ser favorável a se manter firme na postura do partido de lançar investigações públicas e não avançar em um processo de destituição.</p><p>O deputado Steny Hoyer, outra das principais referências na Câmara, se pronunciou no mesmo sentido.</p><p>O jornal The Washington Post reportou, no entanto, que na segunda-feira à noite, Nadler, cujo comitê gerenciaria qualquer ação de julgamento político, disse a Pelosi ser favorável a abrir uma investigação de impeachment, o primeiro passo deste processo.</p><p>A representante Sheila Jackson Lee, membro do comitê de Nadler, declarou à imprensa que vai apresentar formalmente uma “resolução de investigação” para o julgamento político nas próximas 48 horas.</p><p>Mas Hoyer argumentou que seus colegas democratas ainda não estavam prontos para uma iniciativa deste tipo.</p><p>”Não acho que haja nenhum democrata que pense que Trump não fez algumas coisas que provavelmente justificam o julgamento político”, destacou.</p><p>”Tendo dito isto” – completou – “penso que a maioria dos democratas continua acreditando que devemos continuar no caminho em que estivemos”.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense