Justiça levará a júri motorista que atropelou e matou mãe de dois filhos em Joinville

Tânia Cristina da Silva dos Santos seguia de bicicleta quando foi atingida pelo carro de José Hilton de AraújoSerá levado ao banco dos réus no próximo dia 22 de setembro o motorista acusado de atropelar e matar a servente escolar Tânia Cristina da Silva dos Santos, de 35 anos, em fevereiro de 2013, quando ela seguia de bicicleta pela na zona Sul de Joinville. A juíza da 1ª Vara Criminal da cidade, Karen Francis Schubert Reimer, agendou o júri nesta semana.Justiça levará a júri motorista que atropelou e matou mãe de dois filhos em Joinville Salmo Duarte/Agencia RBS

Assim, José Hilton Alves de Araújo será julgado pelos crimes de embriaguez ao volante e homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar). Exclusivamente reservados para os chamados crimes contra a vida, como homicídios e tentativas de homicídio, os júris para casos de trânsito são menos comuns, mas entram na pauta de julgamento quando há indícios de que a ocorrência não foi um mero acidente.

A denúncia do Ministério Público afirma que José Hilton não deu preferência à ciclista e não parou no cruzamento antes da batida. Ao ser atingida, Tânia foi arremessada a cerca de 20 metros de distância. Ela não resistiu e morreu instantes depois.

O MP ainda aponta que o exame do teste do bafômetro feito em José Hilton indicou mais do que o dobro da quantidade de álcool permitida no sangue. Ele chegou a ficar preso preventivamente, mas conseguiu a liberdade por determinação do Tribunal de Justiça e responde ao processo solto.

Todos os recursos ajuizados contra a decisão de levá-lo a júri popular, no entanto, foram negados. Imagens do circuito interno de um supermercado na esquina da rua Aderbal Tavares Lopes, na região do Ulysses Guimarães, próximo ao local do acidente, mostram que o Peugeot dirigido pelo acusado não chegou a desviar da bicicleta na hora da batida.

À Justiça, o réu confirmou ter atropelado a mulher, mas alegou que ela teria atravessado a frente dele de surpresa. Disse ter tomado duas cervejas, mas negou embriaguez. Afirmou também ter feito o teste do bafômetro por vontade própria.

A defesa dele ainda argumentou pela desclassificação dos fatos para homicídio culposo (sem qualquer intenção), na modalidade de negligência, mas a Justiça manteve a tese de dolo eventual.

Tânia foi casada por 20 anos, tinha dois filhos e cuidava da mãe idosa.