Kabila mantém a maioria parlamentar na República Democrática do Congo

<p>A República Democrática do Congo caminha para uma coabitação sem precedentes entre um presidente da oposição e partidários do presidente atual, Joseph Kabila, que mantém a maioria no Parlamento.</p><p>Dois dias depois de proclamar a vitória histórica do opositor Félix Tshisekedi na eleição presidencial, a Comissão Eleitoral (CENI) anunciou os resultados das eleições legislativas, que deu a maioria na Assembleia Nacional aos aliados do atual presidente.</p><p>Essa vitória pressupõe que o primeiro-ministro de Tshisekedi será escolhido entre as forças leais a seu antecessor no cargo. A República Democrática do Congo é um regime semipresidencial, no qual o primeiro-ministro vem da maioria parlamentar.</p><p>O outro candidato opositor à presidência Martin Fayulu denuncia fraudes nos resultados e planeja recorrer ao Tribunal Constitucional neste sábado.</p><p>- ‘Totalmente cúmplice’ -</p><p>Fayulu, que ficou em segundo lugar na eleição presidencial de acordo com os resultados oficiais, reivindica a vitória, com 61% dos votos, e acusa Tshisekedi de ser “totalmente cúmplice” de um “golpe eleitoral” orquestrado com Kabila.</p><p>As eleições presidencial, legislativas e provinciais foram realizadas em 30 de dezembro, depois de 18 anos da presidência de Kabila. Chegaram a ser três vezes adiadas.</p><p>Segundo os resultados provisórios do CENI, Tshisekedi ficou em primeiro na disputa presidencial, com 38,57% dos votos, à frente de Martin Fayulu (34,8%) e longe do herdeiro político de Kabila, Emmanuel Ramazani Shadary (23%).</p><p>Na Assembleia, as forças favoráveis a Kabila já ultrapassam o limite de 250 assentos do total de 500, segundo uma primeira contagem da AFP a partir do resultado fornecido pela CENI.</p><p>A Comissão Eleitoral indicou os nomes de 485 deputados eleitos, já que a eleição que designará os outros 15 foi adiada em algumas regiões (Beni, Butembo e Yumbia).</p><p>Destes 485 deputados, a AFP foi capaz de identificar a filiação política de 429 deles. Pelo menos 288 são ligados à coalizão pró-Kabila, a Frente Comum para o Congo (FCC).</p><p>Segundo esta primeira apuração, o Partido do Povo para a Reconstrução e Democracia (PPRD) de Kabila obtém 48 assentos. Seu partido satélite PPPD conquistou 20 bancos.</p><p>A União pela Democracia e pelo Progresso Social (UDPS) de Félix Tshisekedi obteve 32 assentos, sendo ultrapassado pela coalizão de Lamuka de Fayulu (94 assentos).</p><p>- “Sócio” -</p><p>”Se Tshisekedi se tornar presidente, […] ele será o defensor de Kabila, que continuará manipulando”, acusou Martin Fayulu.</p><p>”Tshisekedi e o presidente negociam desde 2015!”, acrescentou o adversário.</p><p>Os partidários de Kabila e Tshisekedi não negaram sua “aproximação” nos últimos dias.</p><p>”Eu presto homenagem ao presidente Joseph Kabila. Hoje não precisamos mais considerá-lo como um adversário, mas como um parceiro na alternância democrática de nosso país”, declarou o próprio Tshisekedi, após ser proclamado vencedor.</p><p>Segundo diversas fontes, existiria um acordo entre os dois lados.</p><p>O pacto garantiria a Kabila maioria no Parlamento e o direito de controlar posições estratégicas (como Defesa, ou Finanças), de acordo com uma fonte congolesa.</p><p>A posse do novo presidente está prevista para 22 de janeiro, após a proclamação final dos resultados por parte do Tribunal Constitucional.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense