Levanta e joga: o caminho para Neymar deixar para trás a fama que rendeu memes

Levanta e joga: o caminho para Neymar deixar para trás a fama que rendeu memes
<p>Deite no chão e comece a rolar assim que o treinador gritar o nome do camisa 10 da Seleção Brasileiro na Copa do Mundo da Rússia. Os vídeos de crianças pelo mundo em que fingem dor agonizante sobre a grama ganhou até nome: Neymar Challenge. O Desafio Neymar, conforme a tradução, faz referência à cena que se sobrepôs aos dois gols e aos dribles. O Brasil foi eliminado e o jogador deixou o solo russo sem impor uma marca positiva. A imagem que se espalhou pelo foi a do jogador se contorcendo na horizontal. Por mais que tenha finalizado 13 vezes ao gol ou acertado 75% dos dribles que deu, são as reações exageradas pelas 26 faltas recebidas que o planeta escolheu para caracterizar suas atuações nas cinco partidas pelo Mundial.  </p><p> <strong>Neymar</strong> desembarcou na Rússia como o único sucessor de Messi e Cristiano Ronaldo ao trono de melhor jogador do planeta. O desempenho deles, do argentino e do português, até deixou o caminho aberto. Porém, além de não apresentar um futebol capaz de ultrapassa-los, o craque brasileiro tem a posição ameaçada pelo companheiro de Paris Saint-Germain Mbappé e o croata Luka Modric. Além de desempenho, a repercussão das quedas coloca jogador de 26 anos mais abaixo do que quando desembarcou para disputar a Copa do Mundo.</p><p> <strong>Goleador, caído, fashion, pistola ou zoeiro: qual Neymar é você?</strong> </p><p>Não há divergência entre os que acompanham o futebol mundial. Para deixar os memes no entulho virtual e voltar a ser respeitado como candidato a melhor do planeta <strong>Neymar</strong> terá de jogar bola. Nem mais ou nem menos. Basta jogar o futebol que tem, sem encenações, penteados, brincadeiras nas redes sociais ou qualquer outro fator que não envolva a bola.</p><p>— Ele precisa se concentrar num jogo de verdade, sem encenação, que ele seja mais competitivo do que posudo, mais concentrado do que disperso, mais capitão do que estrela de marketing de uma seleção. Neymar tem muito potencial, mas ainda não entendeu que um jogo profissional e competitivo vai muito além do que brincadeira com “tóis”, do que um drible desnecessário, um gol de efeito. Futebol precisa de mais foco, competição e entrega. E ele precisa ser mais atleta, mais líder — aponta Lédio Carmona, comentarista do SporTV.</p> Foto: Arte DC / Arte DC <p>Ainda que seja dessa forma, com atuações que ultrapassem as expectativas e que a postura seja de um atleta com altíssimo rendimento, é incerto que daqui quatro anos, no Catar, as piadas sobre quedas e os memes proliferados em diferentes idiomas tenham caído no esquecimento. Mas é o único caminho. Quanto mais e melhores atuações, seja pelo PSG ou pela Seleção Brasileira, mais se distancia das piadinhas para chegar na próxima Copa do Mundo, pelo menos, em outra condição de disputar o posto de melhor do mundo outra vez. O ocorrido na Rússia serve de aprendizado.</p><p>— Todo o mundo esperava mais dele. A expectativa sobre ele era muito grande. Ele precisa pegar essa Copa e tirar muitas lições. Ele é jovem e talentoso e pode melhorar muito. Ele tem que aumentar o controle emocional dentro dos jogos, ele precisa aprender a usar mais a malandragem boa, reagir certo nos jogos — disse Ronaldo, ex-camisa 9 da Seleção, no SporTV durante a cobertura do Mundial.</p><p> <strong>Designer gráfico cria alfabeto com quedas de Neymar na Copa do Mundo</strong> </p><p><strong>As outras vezes em que Neymar se reergueu</strong></p><p>Neymar já demonstrou ter condições de superar momentos negativos em sua carreira. Ainda aos 18 anos, no segundo ano como profissional do Santos, se envolveu na primeira grande polêmica da carreira. Em jogo pelo Campeonato Brasileiro de 2010, na Vila Belmiro, foi proibido pelo então comandante Dorival Júnior de cobrar um pênalti que havia sofrido. Deixou o jogo xingando o treinador e a briga se estendeu ao vestiário, depois de terminada a partida, e por pouco não terminou em agressões físicas. O treinador acabou demitido dias depois. Um episódio que causou arrependimento no jogador, admitido depois de anos, e que seria o início de uma nova postura.</p><p class=”embed-content”> </p><p>Porém, ele precisou de suporte de companheiros para deixar o problema de lado e ter as atuações brilhantes que o fariam ser contratado pelo Barcelona três anos depois. Hoje no últimos dias da carreira, no Avaí, o meia Marquinhos lembra do episódio. Era companheiro de equipe de Neymar e acredita que, assim como fez na época, outra figura dentro do elenco brasileiro pode ser determinante para que volte a assumir o papel de protagonista simplesmente por seu futebol.</p><p>- Acho que faltou alguém chamar como eu o chamei quando teve aquela briga com o Dorival. Coloquei ele em uma sala, nos abraçamos e choramos juntos. Por mais que tivesse apenas 18 anos, cobrei uma postura dele porque era a nossa referência. Acho que faltou alguém pegar ele, conversar e dizer que ele era o nosso diferencial na Copa do Mundo, que não precisa ficar caindo, que não precisa chamar todo mundo para ficar contra ele. Era apenas para jogar o futebol dele. É homem, não é menino. É um cara com responsabilidades grandes, e que carrega esse dilema, de ser o melhor e também o pior. Hoje é chacota no mundo todo, mas isso passa. Ele vai estar na Copa seguinte e tomara que esta tenha sido um aprendizado, para que na próxima ele saiba o quanto representa para a Seleção — disse o camisa 10 do Avaí em entrevista coletiva no decorrer da semana.</p><p> <strong>Instituto médico português usa Neymar para alertar contra chamadas falsas</strong> </p><p><strong>Silêncio não é o melhor caminho</strong></p><p>Minutos depois da eliminação para a Bélgica, na sexta-feira anterior, Neymar foi o mais aguardado na zona mista, na saída dos jogadores da Arena Kazan. Jornalistas brasileiros e de outras partes do mundo chamaram pelo seu nome em todos os tons. Neymar passou e desviou o olhar poucas vezes. Saiu sem dar entrevista e a única manifestação foi pelas contas das redes sociais. Apresentador do SporTV, Marcelo Barreto sugere que a reconstrução do craque comece com uma relação melhor com a imprensa.</p><p>— Zoar o Neymar virou modinha na internet. É uma bola de neve. Não vai parar até surgir outra. E o melhor que ele tem a fazer agora é trabalhar e deixar passar. E, de repente, confiar um pouco na imprensa, que parece desprezar em detrimento das redes sociais – onde acredita que consegue falar diretamente com seus fãs, mas onde também surgem todos os memes que tanto o incomodam – e dar uma boa entrevista, abrindo o coração.</p> Foto: Benjamin CREMEL / AFP <p>O primeiro desafio de Neymar pela retomada vai ser no Paris Saint-Germain. O mundo vai estar atento aos jogos do brasileiro pela equipe da capital da França, e aguarda pela postura dele em campo, principalmente pelas reações que terá quando sofrer uma falta. Porém, mais do futebol, a primeira temporada pós-Copa será uma prova e tanto para o craque, se vai conseguir ter postura vencedora também fora das quatro linhas.</p><p>— Neymar saiu muito pequeno da Copa da Rússia e já tem as redes sociais à sua cola. A chegada do goleiro italiano Buffon ao PSG e o repentino endeusamento ao atacante francês Mbappé, também do PSG, porão ainda mais em xeque a capacidade de o craque brasileiro se reinventar, se reerguer, se reestruturar, se reequilibrar. Não há dúvidas de que, na guerra de ego, Buffon e Mbappé serão potenciais rivais de Neymar. Para virar esse jogo, para reconquistar a adoração mundial, Neymar tem que jogar bola, melhorar seu comportamento ético em campo. E, acima de tudo, se transformar em homem. Ele não é mais um menino. Chega de passar a mão na cabeça. Ou Neymar amadurece como ser humano ou terá atitudes de moleque para toda a vida, fora e dentro dos gramados — aponta Cesar Seabra, diretor de jornalismo da NSC Comunicação.</p><p><strong>Leia também:</strong></p><p> <strong>Goleador, caído, fashion, pistola ou zoeiro: qual Neymar é você?</strong> </p><p><br></p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense