O homem forte de Moisés na troca de governo em Santa Catarina

O homem forte de Moisés na troca de governo em Santa Catarina
<p>Luiz Felipe Ferreira, escolhido pelo governador eleito, Carlos Moisés da Silva, para coordenar a transição de governo em Santa Catarina, é citado dezenas de vezes nas 817 páginas de inquérito produzidas pela Polícia Federal (PF) na <strong>Operação Ouvidos Moucos</strong> . De acordo com os depoimentos e conversas transcritas, o então coordenador do Ensino a Distância de Ciências Contábeis e chefe do departamento teria atuado como mediador do conflito que resultou em uma grande operação policial na UFSC.</p><p>Ferreira teria auxiliado o reitor Luiz Carlos Cancellier a tirar do cargo a professora Taísa Dias e os coordenadores de ensino a distância denunciados por ela em função de supostas irregularidades na área. Cancellier foi preso em 14 de setembro de 2017, solto em 24 horas, e matou-se em um shopping da Capital três semanas depois. </p><p>Entre as citações no inquérito da PF está a conversa que Ferreira manteve com  Cancellier em março do ano passado. Em mensagens de texto, ele informa que conseguiu a saída de Taísa da coordenação do ensino a distância em troca da mudança de avaliador no estágio probatório dela. E acrescenta: </p><p>— Agradeço a confiança na condução desse processo. </p><p>Ao que Cancellier responde: </p><p>— Você é o nosso chefe. Tenho certeza que o processo será concluso a bom termo.</p><h3><strong>Convocado pela PF para depor </strong></h3><p>Ferreira foi um dos convocados pela PF a depor, mas não está entre os 23 indiciados. No relatório, o delegado responsável, Nelson Napp, afirma que o depoimento “foi bastante esclarecedor quanto aos fatos, a estrutura e o movimento político na instituição, eis que foi chefe do Departamento de Ciências Contábeis entre 01/09/2012 até 31/08/2017, ratificando as declarações (em depoimento) da professora Taísa Dias.” </p><p>Assim que identificou as supostas irregularidades, a então coordenadora do ensino a distância encontrou respaldo em Ferreira e contou com sua presença em dois momentos chaves do suposto esquema: ao abrir as denúncias na reunião do colegiado do Curso de Administração e ao apresentar as mesmas denúncias a Cancellier, em 2016. </p><p>Nessa reunião, entre o reitor, Taísa e Ferreira, Cancellier teria pedido à coordenadora que “guardasse a pastinha”. A PF usou essa declaração de Taísa para sustentar o pedido de prisão do reitor. </p><h3>Estreita ligação com Cancellier</h3><p>Chefe do departamento de Ciências Contábeis nos últimos cinco anos, Ferreira mantinha estreita ligação com o reitor da UFSC à época da Operação Ouvidos Moucos. </p><p>De acordo com o inquérito, em pelo menos duas oportunidades ele esteve com Cancellier em reuniões a portas fechadas para tentar estancar as denúncias de irregularidades: quando Cancellier sondou o interesse de uma professora para substituir Taísa no cargo, e quando o então reitor teria dito não ser interesse naquele momento atuar para esclarecer as suspeitas envolvendo a gestão do ensino a distância. </p><p>Apesar da proximidade com o então reitor e com os outros coordenadores de curso, e de também atuar na coordenação do Ensino a Distância, Ferreira não foi listado pela PF como um dos seis profissionais a acumularem 43% de toda a verba destinada ao setor entre 2008 e 2016.</p><h2>Trajetória</h2><p>A carreira de Luiz Felipe Ferreira na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) tem quase duas décadas. Nos anos 2000, ele concluiu o mestrado em Administração na universidade e, dez anos depois, obteve o título de doutor no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental. </p><p>Tornou-se professor da UFSC em 2005, passando pelos cargos de Chefe de Departamento no Curso de Ciências Contábeis e Coordenador do mesmo curso no Ensino a Distância. Ferreira deixou esses cargos no ano passado, mas segue como professor adjunto, com dedicação exclusiva de 40 horas semanais.</p><h2>Contraponto</h2><p>Luiz Felipe Ferreira destaca que foi incluído no inquérito como testemunha, não como suspeito, e “prestou depoimento esclarecedor”. Sobre os trechos do inquérito que o relacionam com Cancellier, informou não ter nada a declarar. Disse ainda que “está à disposição para falar da transição do governo, não sobre a Operação Ouvidos Moucos”.</p><p><strong>Leia também</strong></p><p> <strong>Ouvidos Moucos completa um ano sem denúncia do MPF</strong> </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense