ORDEM  DO  DIA – Dia  do  Correio  Aéreo  Nacional  e  da  Aviação  de  Transporte

No passado, voar era um mitológico privilégio dos deuses e uma dádiva outorgada tão somente aos pássaros. Para o homem, algo intangível.

O que dizer então das emoções semeadas pelo roncar dos motores dos lendários Curtiss, anunciando aos irmãos dos marcos extremos da Terra de Santa Cruz a chegada dos intrépidos desbravadores do ar?

Para muitos desses sentimentos não há palavras que possam descrevê-los. Só numa coisa eles criam: o simples, mas sincero aperto das mãos que conduziam as asas verdes e amarelas também portaria as notícias de um familiar de longe, o remédio tão esperado, o alimento vital e os tijolos para a construção da escola.

Eis o progresso trazido pelo Correio Aéreo Nacional!

Na manhã do dia 12 de junho de 1931, o Campo dos Afonsos viu seus filhos pródigos partirem rumo aos “arquipélagos de povoações” daquela época, assinalando o ponto de partida do emprego da nascente aviação militar como instrumento de integração nacional.

Eduardo Gomes, Lemos Cunha, Casimiro Montenegro Filho, Nelson Freire Lavenère Wanderley e outros fizeram do querer audaz e nacionalista o sonho de dar aos caminhos do país novas dimensões.

O amor ao próximo e senso do dever desses visionários deram asas ao símbolo máximo da integração de crenças, sotaques e culturas da portentosa nação brasileira.

Inspiração, comprometimento e atitude!

Esse foi o maravilhoso legado deixado pelos heróicos pioneiros do Correio Aéreo Nacional.

Decorridas várias décadas, o romantismo dos cachecóis esvoaçantes deu lugar à operação dos bravos C-95, C-130, C-97, C-105 da Aviação de Transporte. Seus tripulantes são os lídimos herdeiros dos valores que mantêm acesa a chama da esperança nos corações dos brasileiros.

Sob suas asas está a pronta-resposta aos clamores da sociedade, das autoridades constituídas e, quando preciso, das nações amigas.

Eles materializam a imprescindível presença do Estado Brasileiro. Envergam emblemas que contam uma história de bravura e heroísmo dos precursores do Correio Aéreo Nacional. Onde eles estão, está a própria Força Aérea Brasileira. Onde está a Força Aérea, está o Brasil.

Nesse contexto, o transporte aéreo e logístico fornecido pela Aviação de Transporte tem sido fundamental nos profícuos resultados da Operação Acolhida, em socorro ao povo venezuelano que ingressa em nosso país.

Recentemente, sob a firme liderança dos bandeirantes do ar do século XXI, o CAN extrapolou nossas fronteiras e conduziu a Bandeira do Brasil a milhares de famílias afligidas pelas enchentes que abalaram a nação de Moçambique, levando suprimentos e o apoio de uma Instituição atuante e reconhecida no contexto nacional e internacional.

Essa é a nossa Força Aérea, que ingressa nos tempos de sua quarta geração, onde as modernas aeronaves KC-390 surgem no horizonte da operacionalidade.

Acreditando no futuro do Brasil e na necessidade do avanço da Indústria Nacional de Defesa, a Força Aérea foi a principal responsável pelos aportes financeiros visando ao desenvolvimento do projeto, que será a espinha dorsal da Aviação de Transporte nos próximos anos.

O Grupo de Transporte de Tropas, GTT, estrategicamente posicionado na cidade de Anápolis, será o esquadrão responsável pelo recebimento desse vetor, que representa um salto operacional para as Forças Armadas.

O objetivo desse projeto é fortalecer nossa capacidade de pronta-resposta e atender às inúmeras missões de transporte, lançamento de cargas e paraquedistas, reabastecimento em voo, evacuação aeromédica, busca e salvamento, combate a incêndio florestal, entre outras.

Esse auspicioso horizonte que se descortina diante de nossos olhos é uma grande vitória, que nos leva a refletir sobre a perfeita noção da responsabilidade que cada um de nós tem no cumprimento da Missão Institucional.

Conquanto haja grandes desafios intrinsecamente ligados às novas capacidades operacionais advindas da incorporação do KC-390 ao acervo da FAB, confio, de forma inabalável, nos homens e nas mulheres da Força Aérea que, atuando nos mais diversos setores, voando e fazendo voar, contribuem para a manutenção do voo ascendente da nossa Instituição.

Caros integrantes da Aviação de Transporte e do Correio Aéreo Nacional.

Ao sobrevoarem nossos férteis campos, com incansável empenho, sob a ardente luz do sol ou sob o olhar vigilante das estrelas, levem consigo a certeza de que suas obras jamais serão esquecidas. Antes, as autênticas e valiosas recompensas da virtude do comprometimento estendem-se muito além do curto espaço de tempo que emoldura a vida do homem. Transcendem o cotidiano e atingem a posteridade.

Por isso, mantenham a proa.

Ao parabenizar os integrantes da Aviação de Transporte, manifesto meu irrestrito reconhecimento, elevado respeito e profundo orgulho em comandá-los.

Que as glórias dos pioneiros do CAN possam ser vivenciadas pelas incansáveis asas que protegem e integram o Brasil com o lema: “lançar, suprir, resgatar”!

Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez

Comandante da Aeronáutica

Fonte: FAB