Pequeno dicionário da grande crise financeira de 2008

<p>”TBTF”, “CDO” e “subprime” são alguns dos termos que descrevem as complexas atividades financeiras necessárias para entender o que foi a crise de 2008.</p><p>- TBTF, “Too big to fail” -</p><p>”Grandes demais para quebrar”. Esta expressão anglo-saxã se refere a empresas financeiras, bancos ou seguradoras cuja quebra poderia desestabilizar outras empresas e até mesmo o conjunto da economia.</p><p>Essas companhias são caracterizadas pela importância de suas atividades transnacionais, por suas interconexões com outras instituições financeiras e pela complexidade das operações que realizam.</p><p>Durante a crise, muitos grupos sistêmicos de todo o mundo tiveram que ser resgatados pelos Estados.</p><p>- ‘Subprime’ -</p><p>São empréstimos hipotecários concedidos a consumidores com uma situação financeira precária, graças aos quais muitos americanos tiveram acesso à propriedade nos anos 2000.</p><p>Esses créditos costumavam ser oferecidos com taxas de juros baixas e fixas durante os primeiros anos, e depois variáveis. Também dependiam do valor dos imóveis.</p><p>Em 2007, o mercado imobiliário americano sofreu uma virada: os juros aumentaram, enquanto os preços caíram e muitos consumidores que tinham assumido esses empréstimos se viram incapazes de pagá-los. Através do fenômeno da securitização, a crise acabou contagiando todo o sistema financeiro.</p><p>- Securitização e os ‘CDO’ -</p><p>A securitização é uma técnica que consiste em transformar dívidas – como as hipotecas “subprime” – em títulos financeiros que podem ser vendidos nos mercados.</p><p>Para poder negociar com eles nos mercados, esses títulos são agrupados em carteiras de obrigação de dívida colateralizada (CDO, na sigla em inglês).</p><p>Quem os compra teoricamente tem a segurança de recuperar seu investimento inicial, mas também de receber os juros em forma de um cupom – contanto que todos os créditos sejam respeitados.</p><p>Esse sistema permite aos bancos não aguentarem sozinhos o risco de quebra dos mutuários. Mas o custo é um risco ainda maior caso haja problemas: a propagação da crise para todo o setor financeiro.</p><p>Quando muitos consumidores americanos não conseguiram pagar seus créditos – muito dependente dos especuladores – esses produtos financeiros despencaram, provocando um efeito em série.</p><p>- Os ‘hedge funds’, os fundos de cobertura -</p><p>Tratam-se de fundos muito especulativos que buscam lucros rápidos com apostas arriscadas. Não estão submetidos às mesmas obrigações de transparência de outros fundos de investimento. Essa opacidade ampliou a dificuldade para avaliar o alcance da crise das hipotecas “subprime”.</p><p>Esses fundos, que possuíam grande quantidade de CDOs de alto risco quando a crise estourou, decidiram em alguns casos vender maciçamente ativos que já estavam em queda.</p><p>Eles tiveram um papel importante na crise, que começou de fato em junho de 2007 com o colapso de dois “hedge funds” administrados pelo banco de investimentos Bear Stearns.</p><p>- CDS -</p><p>Os CDS (do inglês “Credit Default Swap”) são seguros contratados pelas empresas para se protegerem contra o risco de calote de um crédito ou uma dívida. Durante a crise, a seguradora AIG, que vendia esses seguros de moratória, teve grandes dificuldades quando várias empresas quebraram e teve que reembolsar os prejuízos aos compradores.</p><p>- Agências classificadoras -</p><p>As três principais são Standard and Poor’s, Moody’s e Fitch. Elas atribuem notas às dívidas emitidas por empresas e Estados para que os investidores possam distinguir entre as mais confiáveis e as mais arriscadas. O trabalho dessas agências de classificação foi questionado durante a crise, já que muitas davam boas notas aos CDOs, desconsiderando o risco que representavam.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense