Pesquisa sobre incidência do Mayaro no Rio precisa de mais investimento

A investigação sobre a circulação e a gravidade da contaminação pelo vírus Mayaro, no Rio de Janeiro, precisa de mais investimentos para que possa continuar. O alerta é feito pelos pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde três casos da doença, ocorridos em 2016, foram descobertos neste ano.

 

Os pesquisadores se debruçaram sobre pacientes que apresentavam todos os sintomas da Chikungunya mas, após os exames, o diagnóstico para a doença não fechou. O resultado foi a ocorrência do Mayaro, um vírus que tem poucos casos confirmados no país.

 

O professor Amílcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, explica que cerca de 70% das suspeitas de chicungunya se confirmam após os exames feitos nos serviços de saúde.

 

Mas é sobre esses 30% de pacientes que também têm dores nas articulações e febre, sintomas da chikungunya, mas os exames não acusam a doença, que será necessária uma investigação detalhada.

 

Os três pacientes que tiveram a doença confirmada são de Niteroi, na região metropolitana do Rio e se recuperaram bem. Essas pessoas não viajaram, então, a doença foi contraída no Rio mesmo.

 

O Mayaro é transmitido pelo mosquito Haemagogus, o mesmo da febre amarela. Mas a literatura indica que o vírus pode se adaptar ao Aedes aegypti , que transmite a dengue, zika e chikungunya; ao Aedes albopictus, conhecido como tigre-asiático, e até ao pernilongo comum.

 

Desde 1956 foram identificadas cerca de 300 ocorrências do Mayaro no Brasil. A última incidência foi registrada em Goiás, com aproximadamente 150 casos.

 

A Venezuela viveu uma epidemia do vírus em 2010, com 80 casos registrados. Outros países latino americanos têm registros da doença, como o Peru e a Colômbia.// De acordo com os pesquisadores é precoce estabelecer qualquer relação entre os casos registrados no Rio e imigrações.

Fonte: Rádio EBC