Presidente do PTB-SP, Campos Machado é alvo de inquérito

<p>Presidente do PTB paulista e um dos políticos mais influentes de São Paulo, o deputado estadual Campos Machado é investigado por suspeita de enriquecimento ilícito pelo Ministério Público Estadual (MPE). O crime envolveria irregularidades como a devolução de salário de servidores indicados por ele no governo do Estado e também na Assembleia Legislativa e o ressarcimento de gastos com locação de imóvel para seu escritório político.</p><p>Um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), vinculado ao Ministério da Fazenda, aponta operações suspeitas envolvendo transações no valor de R$ 6,1 milhões de contas bancárias mantidas pelo parlamentar, por sua mulher, Marlene Machado, e pelo escritório de advocacia do qual ele é sócio.</p><p>Classificadas como “movimentações financeiras atípicas”, as transferências ocorreram no período que vai de 2008 a 2015, quando Campos Machado já era deputado estadual – ele atualmente está no sétimo mandato consecutivo.</p><p>As investigações estão divididas em dois inquéritos na Promotoria do Patrimônio Público e Social. Um deles foi aberto em janeiro pelo promotor Silvio Marques, com base no relatório do Coaf. Segundo o documento, o petebista movimentou R$ 3 milhões em operações suspeitas entre janeiro de 2014 e março de 2015 de uma conta conjunta com sua mulher, que foi candidata a senador pelo PTB nas eleições de 2014.</p><p>O Coaf suspeitou da fragmentação de depósitos, em espécie, que seria feita para “dissimular” o valor total da movimentação bancária. No período, Campos Machado retirou cerca de R$ 1,5 milhão da conta. Entre os pagamentos, está um cheque de R$ 50 mil destinado ao ex-deputado federal Roberto Jefferson, atual presidente nacional do PTB. Segundo Campos Machado, foi uma doação para pagar uma dívida do correligionário com a Justiça, que foi declarada em seu Imposto de Renda.</p><p><strong>Escritório</strong></p><p>O Coaf também apontou como suspeita movimentação de R$ 3,1 milhões envolvendo duas contas do escritório de advocacia mantido por Campos Machado entre janeiro e agosto de 2008, ano em que ele foi candidato a vice-prefeito da capital paulista na chapa do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).</p><p>Do total, R$ 2,88 milhões foram transferidos por uma empresa que comprou uma pedreira em Arujá, na Grande São Paulo, em negócio intermediado pelo escritório do petebista.</p><p>No mesmo período, ainda de acordo com relatório do Coaf, foram debitados da conta R$ 2,44 milhões – R$ 658 mil sacados em espécie, R$ 660 mil aplicados em um plano de previdência privada, R$ 94,7 mil pagos pela compensação de cheques e R$ 874 mil transferidos para uma pessoa chamada Jayme Pinho Júnior. De acordo com o deputado, ele era representante da empresa que vendeu a pedreira.</p><p><strong>Outro inquérito</strong></p><p>O MPE apura se as movimentações financeiras consideradas suspeitas de Campos Machado têm relação com denúncia envolvendo o petebista, que é alvo de um segundo inquérito em andamento na Promotoria. A investigação feita pelo promotor Marcelo Milani apura denúncia de que o político petebista cobrava devolução de parte do salário de servidores indicados por ele na Secretaria Estadual de Justiça e na Assembleia Legislativa.</p><p>Segundo a acusação, Campos Machado teria cerca de 160 cargos sob sua influência na Assembleia e o esquema movimentaria cerca de R$ 500 mil por mês. A denúncia cita ainda um esquema de funcionários fantasmas, notas frias para justificar gastos com a verba de gabinete, “venda de favores” no Judiciário e desvio de recursos em convênios da Secretaria Municipal de Esportes, loteada ao PTB na gestão Fernando Haddad (PT).</p><p>Nos governos Alckmin (2011-2018), a Secretaria de Justiça ficou sob influência do petebista. Tanto o atual secretário, Márcio Elias Rosa, ex-procurador-geral do MPE, como seu adjunto, Luiz Madureira, são indicações do petebista. O inquérito sobre Elias Rosa foi arquivado em abril por falta indícios contra ele.</p><p><strong>’Vingança'</strong></p><p>O deputado estadual Campos Machado negou haver qualquer irregularidade nas movimentações financeiras apontadas pelo Coaf e disse que as investigações contra ele representam uma “vingança” por causa de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) de 2013 que ele apresentou para impedir que promotores investiguem políticos por atos de improbidade.</p><p>”Essas denúncias já foram objeto de apuração em outro inquérito que foi arquivado pelo Ministério Público, porque não havia nada irregular. Reabrir o inquérito agora é um ato de vingança por causa da PEC. Não tem nenhum fato novo”, disse.</p><p>O petebista apresentou à reportagem a cópia de um ofício que enviou em dezembro de 2015 ao então procurador-geral de Justiça, Márcio Elias Rosa, rebatendo cada uma das acusações. O inquérito foi arquivado e, em 2016, Elias Rosa foi indicado por ele para ser secretário de Justiça.</p><p>Campos Machado afirmou que já justificou todas as transações e que já prestou contas à Receita Federal. Ele classificou como “absurda” a acusação de recolher salário de servidores indicados. “Os funcionários eram filiados ao PTB e faziam doações voluntárias, de uma quantia irrisória, R$ 300, que iam para a conta do partido. Tudo de acordo com o estatuto do partido e dentro das normas do TSE”, disse. As informações são do jornal <strong>O Estado de S. Paulo.</strong></p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense