Pressão aumenta sobre a Huawei e Pequim denuncia 'assédio'

<p>A China denunciou nesta quinta-feira um “assédio” por parte dos Estados Unidos contra a Huawei, a número dois do mundo dos smartphones, enquanto Washington acusou a companhia de mentir sobre suas relações com o governo.</p><p>Em plena guerra comercial com Pequim, o governo de Donald Trump colocou a Huawei em uma lista de empresas suspeitas para as quais as companhias americanas estão proibidas de vender equipamentos tecnológicos.</p><p>Embora a sanção tenha sido suspensa por três meses, ela pode prejudicar a própria sobrevivência da Huawei, já que seus smartphones dependem dos chips fabricados nos EUA.</p><p>”É apenas falso. Dizer que não trabalham com o governo chinês é uma declaração falsa”, afirmou o secretário de Estado Mike Pompeo à emissora CNBC.</p><p>”O diretor-executivo da Huawei (Ren Zhengfei) não diz a verdade ao povo americano, nem ao mundo”, acrescentou.</p><p>Ele disse que a legislação chinesa obriga as empresas a colaborarem com as autoridades.</p><p>Nesta quinta, Pequim elevou o tom, anunciando o envio de “um protesto solene” a Washington, segundo o ministério do Comércio.</p><p>Na quarta-feira à noite, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, denunciou um “assédio econômico” destinado a “impedir o processo de desenvolvimento” de seu país. Ele prometeu que Pequim lutará “até o fim”.</p><p>E o porta-voz do ministério do Comércio alertou que as negociações comerciais com Washington não serão retomadas se os americanos não demonstrarem “sinceridade”.</p><p>Até então, Pequim dizia acreditar em uma retomada das discussões – em data indefinida.</p><p>Já Pompeo disse ter esperança que “as duas questões” (Huawei e comércio) continuem separadas”.</p><p>Mas a guerra comercial parece cada vez mais dominada por um confronto tecnológico em torno da Huawei.</p><p>Washington deu 90 dias para entrada em vigor de sua proibição, mas vários grupos preferiram se adiantar em face das incertezas que cercam os produtos da Huawei.</p><p>- Efeito dominó -</p><p>Esta decisão de Washington já começou a provocar um efeito dominó.</p><p>A gigante japonesa de eletrônicos Panasonic se juntou nesta quinta-feira à lista de grandes grupos de tecnologia que anunciaram a ruptura de relações com os chineses.</p><p>A Panasonic deixará de fornecer certos componentes para a Huawei e suas 68 subsidiárias que estão sujeitas à proibição do governo americano.</p><p>Sua compatriota Toshiba anunciou, por sua vez, a suspensão das entregas para a Huawei para verificar se seus produtos não incluíam componentes “made in USA”, antes de informar a retomada das entregas.</p><p>Na quarta-feira, quatro grandes operadoras de telecomunicações japonesas (KDDI, Softbank) e britânicas (Vodafone, EE) anunciaram um adiamento do lançamento de novos modelos da Huawei, uma vez que estes dispositivos poderão perder muito de seu interesse sem a contribuição da tecnologia americana.</p><p>Outro grupo britânico, ARM, poderia se juntar à lista. O grupo, que projeta semicondutores usados por todo o setor de telecomunicações, disse que aplicaria “as últimas restrições ordenadas pelo governo dos Estados Unidos”.</p><p>Estes anúncios representam novos obstáculos para a Huawei, após o anúncio de domingo do Google: o gigante americano anunciou que o seu sistema Android, presente na grande maioria dos telefones do mundo, não estará nos futuros smartphones do grupo chinês.</p><p>Um golpe muito duro para a gigante de Shenzen, que poderá ter problemas para vender seus telefones sem aplicativos populares como Maps, Gmail ou YouTube.</p><p>Em resposta, a Huawei está trabalhando em seu próprio sistema concorrente, o HongMeng, que poderá estar pronto na China antes do final do ano, segundo informou nesta quinta-feira o veículo financeiro CNBC, citando Richard Yu, um alto funcionário da Huawei.</p><p>Internacionalmente, o sistema estará disponível no início do próximo ano, de acordo com a mesma fonte.</p><p>”Se a Huawei acelerar o desenvolvimento de seu próprio sistema operacional, dado o tamanho do mercado chinês”, poderia sobreviver, acredita o analista financeiro Hiroyuki Kubota, especialista em tensões comerciais sino-americanas.</p><p>O aumento nas tensões comerciais afetava os mercados nesta quinta-feira: Hong Kong perdeu 1,58%, Xangai 1,35% e Tóquio perdeu 0,62%.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense