Programa de Roraima dedicado à primeira infância tem o desafio de incluir crianças venezuelanas

As mãozinhas pequenas, o andar desengonçado e a aparente fragilidade escondem um enorme potencial. A primeira infância, que vai do nascimento aos 6 anos de vida, é quando construímos hoje o que seremos amanhã.

 

A ciência aponta que o investimento nesta fase traz o maior retorno para a sociedade porque atua quando o cérebro do indivíduo está na sua fase de maior expansão. Há seis anos, Boa Vista, capital de Roraima, tem um programa específico para cuidar da primeira infância. É uma prioridade da cidade, como explica a prefeita Teresa Surita.

 

Sonora: “Assim como é importante a gente trabalhar na drenagem, no asfalto e na ilumijnação, é importante cuidar da primeira infância. Tem o mesmo peso. Com esse foco, teremos uma criança mais feliz, mais saudável”.

 

Enquanto dedicava esforços no cuidado com as crianças, a capital de Roraima passou por outro enorme desafio: a crise migratória. Desde 2017, mais de 200 mil venezuelanos já entraram no Brasil fugindo da crise política e social do país.

 

Sonora: “Nós não vemos diferença entre a criança brasileira e a criança venezuelana. Elas são tratadas da mesma forma. Então, tratamos da integração. A gente entende que dessa maneira a gente vai trabalhar a questão da xenofobia. Sabemos que na primeira infância é importante tratar os vínculos afetivos, ainda mais essas crianças, que chegam fragilizadas”.

 

Uma das políticas públicas para a primeira infância é o espaço Família que Acolhe, onde mães e bebês recebem atendimento especializado. O foco principal, além de cuidar da saúde, é fortalecer os vínculos afetivos, fundamentais pro desenvolvimento do bebê. Em seis anos, o programa já atendeu 15 mil famílias e mais de mil são venezuelanas.

 

Leonela Azocar chegou ao Brasil grávida, como muitas venezuelanas. Deixou lá a filha Bárbara, de dois anos, que hoje vive com os avós. Dormiu na rua e passou fome enquanto esperava o nascimento de Antonela, hoje com 5 meses. Atendida pelo programa Família que Acolhe, ela sonha com o dia em que poderá trazer a outra filha para o Brasil e se preocupa se a filha estará se alimentando.

 

Sonora: “Aqui me ensinaram muito. É como se todos os dias faltasse um pedaço do meu coração. Mas me pergunto, o que minha família estará comendo agora?”

 

Na rede municipal de Boa Vista, 12% das matrículas são de crianças venezuelanas. Na Escola Waldinete de Carvalho Chaves, dos 333 alunos, seis são venezuelanos, entre eles Elvis, que tem 4 anos e vive com a família no Brasil há três. Ele teve problemas no começo com o idioma, mas agora já exibe todo o vocabulário que já aprendeu em português.

 

Sonora: “Eu falo todo isso, eu falo banheiro, falo galinha, falo papel, eu falo tudo, Eu vou à escola, gosto de ir à escola, e brincar no parquinho”

 

A mãe, Keiddy Rivas, tem saudades da Venezuela, mas diz que a família fica no Brasil para garantir uma melhor qualidade de vida para Elvis e o irmão.

 

Sonora: “Meu sonho na vida é que eles sejam a melhor pessoa, que compense a formação acadêmica com a espiritual. Aí, meu filho pode ajudar na sociedade, pode ser médico, pode ser advogado, policial federal, o que ele quiser”.

 

* Sonorização: Messias Melo

Fonte: Rádio EBC