Psicólogos defendem preparação emocional permanente de jogadores

Psicólogos defendem preparação emocional permanente de jogadores
<p>Alvo de críticas nas redes sociais e assunto de grande parte dos comentários, o choro do atacante <strong>Neymar </strong> ao final do jogo da <strong>seleção brasileira</strong> é interpretado por psicólogos como uma catarse emocional, resultante de uma grande pressão. Especialistas no assunto defendem que as equipes tenham uma preparação mais sólida e contínua para que o fator psicológico não entre em campo.</p><p>Para o membro do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, Rodrigo Acioli, faz parte da cultura brasileira questionar choros em público e classificá-los de despreparo emocional. Segundo ele, muitas pessoas avaliam o fato de chorar como apenas um sentimento ruim, mas “não necessariamente” a atitude do craque brasileiro foi sinal de fraqueza.</p><p>— Acabou um jogo difícil, estressante. A gente imagina que ele sinta um peso nas costas e quando jogo acaba, essa tensão toda, eles conseguem fazer os dois gols. Só ele pode falar o que sentiu na hora, mas há uma impressão de catarse, um estouro de emoção no finalzinho — afirmou Acioli.</p><p>Relacionando a cobrança da sociedade brasileira, amante do futebol, com a decepção pelas derrotas da última Copa do Mundo, ocorrida em casa, Acioli lembra que a pressão em cima de Neymar foi crescendo ao longo do tempo, ainda mais levando em conta a atuação do jogador português Cristiano Ronaldo.</p><p>— Já existia uma expectativa com relação ao Neymar. Quatro anos depois, ele passa a ser a figura principal da seleção. O Cristiano Ronaldo [jogador de Portugal] já chegou fazendo três gols de primeira. As pessoas botaram pressão nele [Neymar] e no Messi… Aí acontece o jogo de hoje, ele consegue fazer o segundo gol na prorrogação e cai no choro nessa possível catarse. Pra variar, ao final disso tudo, metade da população cai em cima dele, questionando ou não a maneira como reage ao final do jogo. Então o cara é vigiado o tempo inteiro — analisa.</p><p>Para o psicólogo do Esporte e presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte, João Ricardo Cozac, o atacante brasileiro é um “personagem polêmico” que gera “quase uma discussão política” no país entre os que o julgam e condenam, e os que o inocentam. </p><p>— Na verdade, não cabe a nós julgar ninguém e sim perceber que não só o Neymar, mas toda essa seleção vive sempre no limite do extremo do controle emocional e qualquer partida que passe por algum tipo de dificuldade e o emocional é testado, a gente percebe que os jogadores e o time como um todo não estão preparados para um desafio dessa magnitude —  testemunha o especialista, há 29 anos na área.</p><p>Cozac concorda que o momento do choro foi o de extravasar a emoção e que reações desse tipo são naturais também em outros esportes, ainda mais se tratando de atletas cobrados nacional e internacionalmente. Do ponto de vista da preparação mental, porém, o psicólogo critica os tabus da sociedade brasileira quanto ao tema e defende que o jovem de 26 anos poderia aprimorar o rendimento.</p><p>— Eu percebo que se o Neymar fizesse um trabalho mais focado nesse plano do autocontrole, do controle das próprias emoções e reações, sem dúvida ele ganharia muito com o investimento desse trabalho. Ele seria muito beneficiado — aponta.</p><p>Depois do jogo, o atacante respondeu às críticas e disse que o choro foi de alegria, superação e de garra. O zagueiro e capitão Thiago Silva comentou o assunto na saída do gramado. </p><p>— Acho que tem que desabafar, acredito que ele tenha tirado um grande peso das costas, para o terceiro jogo acho que ele vai estar um pouco mais tranquilo, e isso faz bem para todo mundo — disse, em entrevista.</p> Assim como Neymar, Philippe Coutinho recebeu cartão amarelo após ficar nervoso e reclamar com o juíz Foto: André Mourão / MoWa Press <p><strong>Preparação</strong></p><p>Sobre o grau de interferência do fator psicológico em partidas decisivas, Rodrigo Acioli cita o exemplo de times que sofrem com o esquema tático adversário para o qual não estavam preparados e perdem a capacidade de reação.</p><p>— Às vezes, quando eles começam a tomar os gols, como aconteceu no 7 a 1, eles ficam até perdidos e desmontam. Parece que ficam anestesiados e não conseguem responder. É como se fosse uma ‘estupidez emocional’. Eles são pessoas competentes inteligentes e habilidosas para aquilo, mas naquele instante aconteceu alguma coisa que os paralisam durante alguns segundos e não conseguem fazer algo que estão aptas a fazer — disse.</p><p>João Ricardo Cozac concorda que o trabalho de médio e longo prazo é importante para a preparação psicológica antes da Copa do Mundo.</p><p>— Não há a menor condição de você fazer um trabalho emergencial. Os resultados não são eficientes. Eu não acredito nesse tipo de ação. O que eu acredito é a presença e a sensibilidade de comando do [técnico] Tite podem amenizar um pouco os danos emocionais que a falta de um trabalho sério, coerente e científico poderia proporcionar para essa equipe — conclui.</p><p>A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa da CBF para saber mais detalhes sobre a preparação psicológica dos atletas da seleção brasileira, mas não recebeu retorno até o fechamento da reportagem.</p><p>Também em entrevista após o jogo, o técnico Tite disse que é “desumano” colocar a responsabilidade apenas em um jogador. “O Neymar ficou três meses e meio parado e a partida anterior foi a primeira. Ele é um ser humano, precisa de tempo para retomar o padrão alto. Mas antes de um padrão alto, precisa de um time forte, de não ser dependente”.</p> Foto: Arte DC <p><strong>Leia Mais</strong></p><p> <strong>Lesões preocupam o técnico Tite perto das oitavas de final</strong> </p><p> <strong>Quatro anos depois, como estaria o placar se o 7 a 1 não tivesse terminado?</strong> </p><p> <strong>Argentina: Quatro anos de finais perdidas, corrupção e saídas em falso</strong> </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense