Regime sírio organiza primeiras eleições municipais desde 2011

<p>O regime de Bashar al-Assad organiza, neste domingo (16), as primeiras eleições municipais desde 2011, uma votação que poderá ser assegurada em grande parte da Síria graças às vitórias militares dos últimos anos.</p><p>Os colégios eleitorais abriram às 7h00 (1h00 no horário de Brasília) e vão permanecer abertos até 19h00 (13h00 de Brasílias) nas áreas controladas pelo regime, que representam quase dois terços do país.</p><p>”Mais de 40.000 candidatos estão disputando 18.478 assentos em todas as províncias”, informou a agência oficial de notícias Sana.</p><p>As últimas eleições municipais foram realizadas em dezembro de 2011, no início da guerra que assola o país e que resultou, em sete anos, na morte de mais de 360.000 pessoas e o exílio de milhões. A economia está em farrapos.</p><p>Na capital Damasco, que sempre esteve sob controle do governo, muitos cartazes cobrem os muros, a maioria com candidatos que buscam um novo mandato.</p><p>Mohammad Kabadi, de 42 anos, vai votar em um candidato de seu bairro. “Eu sei exatamente em quem vou votar, ele é jovem, ativo e sua vitória trará coisas boas para as pessoas”, explica.</p><p>A maioria dos candidatos é afiliada ao partido Baath do presidente Assad, o que deixa algumas pessoas céticas.</p><p>- “Por que votar?” -</p><p>”Por que votar? Vamos ser honestos, alguma coisa mudará?”, lança Houmam, um sírio de 38 anos que trabalha no bairro de Mazzé.</p><p>”Todo mundo sabe que os resultados já estão garantidos para um partido cujos membros vencerão em um processo que parece mais uma nomeação do que uma eleição”, acrescenta.</p><p>A televisão estatal síria exibia imagens de eleitores depositando seu voto nas urnas em colégios perto de Damasco e nas ciddes costeiras de Latakia e Tartus (oeste), tradicionais redutos do presidente Assad.</p><p>Os novos vereadores vão ter mais responsabilidades do que seus antecessores, especialmente nas áreas de reconstrução e desenvolvimento urbano, que foram identificadas como prioritárias pelo presidente sírio.</p><p>O conflito na Síria começou em março de 2011, com a repressão do regime às manifestações que pediam reformas democráticas na esteira da Primavera Árabe.</p><p>Parte dos opositores pegaram em armas e, em seguida, o conflito se tornou mais complexo com o envolvimento de forças e movimentos estrangeiros, bem como organizações jihadistas, como o grupo Estado Islâmico (EI).</p><p>Em dificuldades nos primeiros anos, o presidente Assad reconquistou grandes partes do território graças à intervenção militar, desde 2015, de seu aliado russo.</p><p>A principal região que ainda escapa ao seu controle está na província de Idlib (noroeste), onde a população vive com medo de uma ofensiva das tropas do governo apoiadas pelos russos.</p><p>Além das eleições municipais, o regime organizou, desde o início da guerra, eleições legislativas em 2016.</p><p>A última eleição presidencial ocorreu em 2014. Bashar al-Assad, que sucedeu seu pai Hafez al-Assad em 2000, foi reeleito para um mandato de sete anos.</p><p>bur/mjg/iw/gk/mr</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense