Salão de Detroit abre com incertezas sobre setor automotivo

<p>O salão do automóvel de Detroit abre na segunda-feira (14) em um contexto marcado pela incerteza sobre o futuro do setor, afetado pelo aumento dos preços do aço e alumínio, fruto da guerra comercial entre Pequim e Washington.</p><p>Pela primeira vez desde 2009, o ano da falência da General Motors (GM) e da Chrysler, a indústria automobilística tem que lidar com muitas incógnitas: o futuro de sedãs e carros urbanos, as consequências do conflito comercial entre a China e os Estados Unidos – os dois maiores mercados consumidores do setor – e a desaceleração da economia mundial, especialmente da China, que coincide com o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.</p><p>Especialistas também questionam quais serão as consequências do aumento do preço do crédito ao consumidor e do preço dos veículos na venda de automóveis.</p><p>Os subsídios federais para carros elétricos diminuíram significativamente, a GM e a Ford enfrentam uma extensa reestruturação e o alto nível de reservas da Fiat Chrysler preocupa os mercados financeiros.</p><p>Depois de vários contratempos, incluindo acidentes fatais, e à espera de uma regulamentação que não chega, arrefeceu a euforia gerada pelo desenvolvimento de carros autônomos – que muitos fabricantes e gigantes do Vale do Silício previram para 2020.</p><p>”O consenso durante este salão em Detroit (…) é que os lucros e as vendas começarão a se contrair neste ano”, diz Adam Jonas, analista do banco de investimento americano Morgan Stanley.</p><p>”Não seria uma surpresa ver como certas empresas repensam a relevância de manter algumas fábricas”, diz Jessica Caldwell, do portal especializado Edmunds.com.</p><p>A GM já anunciou fechamentos de fábricas e cortes de empregos e poderia tomar novas medidas para poupar. A Ford, que decidiu acabar com a produção de sedãs e carros urbanos de baixa margem de lucro, anunciou nesta quinta-feira que vai cortar empregos na Europa a fim de recuperar sua competitividade.</p><p>Embora as vendas de veículos novos tenham atingido um novo recorde nos Estados Unidos em 2018 – cerca de 17,3 milhões de novos registros, 1,8% a mais em um ano – a maioria dos observadores antecipa uma queda notável no número de vendas em 2019 e preveem más notícias para os acionistas.</p><p>- Transição -</p><p>A GM, grupo norte-americano mais exposto à economia chinesa, provavelmente dará o tom durante um dia dedicado a investidores em Nova York na sexta-feira, durante o qual a presidente, Mary Barra, apresentará as metas financeiras para 2019.</p><p>Como um sinal de pessimismo atual, nenhum anúncio importante é esperado para o salão, que não terá as participações das principais fabricantes alemães, com exceção da Volkswagen.</p><p>A presença das chamadas “Três Grandes” americanas – GM, Ford e Fiat Chrysler – será bastante discreta, embora a Ford possa apresentar o Shelby GT 500, o Mustang mais rápido já produzido.</p><p>Também é esperado que a Volkwagen e a Ford anunciem uma ampla aliança estratégica em torno de carros elétricos e autônomos, disse uma fonte familiarizada com a negociação à AFP.</p><p>”O salão de Detroit está passando por um período de transição”, explica Michelle Krebs, especialista da Autotrader. Já foi o tempo em que a Toyota e a Nissan lançaram na cidade dos EUA, em 1989, suas respectivas marcas de luxo: Lexus e Infiniti.</p><p>Brian Moody, outro analista da Autotrader, acredita que o salão de Detroit se tornou o lugar onde as tecnologias disponíveis estão expostas. “Você vai lá para ver as tecnologias relacionadas à segurança do carro, o tipo de coisa que os consumidores podem comprar em menos de um ano”, diz Moody.</p><p>O salão, criado há 30 anos, continua atraindo cerca de 1 milhão de pessoas. Este ano, abrirá suas portas à imprensa na segunda-feira e receberá o público entre os dias 19 e 27 de janeiro.</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense