Submarino pode ter implodido no fundo do mar, diz Marinha argentina

Submarino pode ter implodido no fundo do mar, diz Marinha argentina
<p>Representantes da Marinha argentina afirmaram neste sábado (17), em entrevista à imprensa, que o <strong>submarino localizado após um ano desaparecido</strong> pode ter implodido no fundo do mar. O último contato com a embarcação ARA San Juan ocorreu em 15 de novembro de 2017, quando navegava no Golfo de São Jorge, a 450 km da costa, no Oceano Atlântico. </p><p>De acordo com o jornal Clarín, o porta-voz da Marinha,  Enrique Balbi, disse que a embarcação está localizada a 907 metros de profundidade, em uma região onde já se tinham feitos buscas “exaustivamente”. Segundo ele, os dados repassados pela empresa americana Ocean Infinity, responsável pelas buscas, sugerem que o submarino “poderia ter implodido, entrado em colapso muito perto do fundo”.</p><p>A busca pelo ARA San Juan começou 48 horas após o último contato. Treze países colaboraram, mas a maioria se retirou antes do final de 2017, sem resultados. Segundo as três fotos tiradas por um robô do navio da empresa de buscas americana Ocean Infinity, não há indicativo de explosão.</p><p>— O submarino sofreu uma implosão. Pode ser visto completo, mas obviamente implodiu — disse Gabriel Attis Attis, chefe da base naval de Mar del Plata, à imprensa horas depois da localização da embarcação.</p><p>O AR San Juan, que desapareceu há um ano no Oceano Atlântico com 44 tripulantes a bordo, foi localizado na sexta-feira. Após as famílias dos 44 tripulantes serem avisadas, a Marinha confirmou a descoberta em comunicado nas redes sociais.</p><p>”Tendo investigado o ponto de interesse nº 24 relatado pela Ocean Infinity, através da observação feita com um ROV de 800 metros de profundidade, identificação positiva foi dada a #AraSanJuan”, diz a mensagem da Marinha, referindo-se à empresa americana que comandava as buscas.<br></p><h3>Nenhum sobrevivente</h3> Submarino havia desaparecido um ano atrás, com 44 pessoas a bordo Foto: Armada Argentina / Divulgação <p>Antes de anunciar publicamente a descoberta do submarino, as autoridades alertaram aos parentes da tripulação que todos a bordo morreram.</p><p>— Eu ainda tinha esperanças de que eles pudessem estar vivos — declarou Luis Niz, pai de um dos marinheiros, aos jornalistas, visivelmente emocionado.</p><p>Yolanda Mendiola, mãe do cabo Leandro Cisneros, 28 anos, disse que se reencontra reunida com membros de outras famílias que aguardavam mais detalhes.</p><p>— Estamos todos destruídos — afirmou. — Agora queremos saber o que aconteceu, Houve falhas, claro. A Justiça tem que investigar. Se houver culpados, que sejam punidos. Dá para imaginar. São 44 meninos, e quando entraram naquele submarino, estavam vivos — acrescentou.</p><p>A maioria dos familiares dos 44 tripulantes, entre os quais havia uma mulher, permaneceu por um ano em Mar del Plata, aguardando notícias.<br></p><h3>Investimento de US$ 25,5 milhões nas buscas</h3><p>A pressão das famílias, que juntaram recursos e acamparam 52 dias na Praça de Maio, em frente à sede da Presidência, em Buenos Aires, levou à contratação da Ocean Infinity para retomar o rastreamento. O navio da empresa partiu no dia 7 de setembro com quatro membros da família a bordo e estava prestes a interromper a busca quando ocorreu a descoberta.</p><p>Apenas um dia antes, a Marinha organizou um ato em homenagem à tripulação do submarino San Juan, em Mar del Plata, por ocasião do aniversário de um ano de seu desaparecimento. A cerimônia contou com a presença do presidente Mauricio Macri e também de vários parentes dos marinheiros. O investimento nos trabalhos de buscas alcança 920 milhões de pesos (US$ 25,5 milhões).</p><p>Lançado na Alemanha em 1983 e incorporado à Marinha argentina em 1985, o “San Juan” era um dos três submarinos do país e seu processo de reparos havia terminado em 2014. </p><p>No dia do acidente, uma explosão foi registrada três horas depois da última comunicação com o submarino, quando o capitão da embarcação reportou a superação de uma falha no sistema de baterias devido à entrada de água pelo snorkel. A tragédia motivou a destituição do comandante da Marinha, Marcelo Srur.</p><p>Alguns tripulantes comentaram que a embarcação tinha sido seguida por navios ingleses. </p><p>Isso fez que alguns familiares pensassem que poderiam ter passado pela zona de exclusão das Ilhas Malvinas, cuja soberania motivou um conflito entre Argentina e Grã-Bretanha em 1982.</p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense