Tecnologias da Feira da Sapatilha ajudam bailarinos que vêm a Joinville

Tablita e Chinerina não são equipamentos novos, mas fizeram ainda mais sucesso em 2015
Tecnologias da Feira da Sapatilha ajudam bailarinos que vêm a Joinville Claudia Baartsch/Especial

Everton testa a pirueteira Foto: Claudia Baartsch / Especial
Trinta e dois giros consecutivos e uma ponta perfeita. Tecnologias que prometem uma melhor performance são oferecidas na Feira da Sapatilha, que ocorre durante o 33º Festival de Dança de Joinville. Onde tem uma pirueteira, apelido carinhoso que bailarinos deram ao equipamento, tem alguém arriscando rodopios e plateia para testemunhar as façanhas. Mas subir em uma tablita não é para qualquer um.

— Tem que empurrar o metatarso (parte mediana do pé) — aponta o bailarino Flavio Everton, de 26 anos, para o  próprio pé esquerdo.

Sem o equipamento e após 16 anos de dança, Everton hoje consegue fazer seis giros consecutivos, já chegou a sete. Com a tablita chega ao 15 giros ininterruptos. Tallison do Nascimento, que é do mesmo grupo que Everton, aumenta de sete para 25 piruetas o seu recorde quando sobe na pirueteira, mas ele já viu fazerem 32 voltas em torno do próprio eixo.

— É bom pra colocar as costas e fazer o movimento de cabeça — comenta Tallison, que experimentou outro equipamento para aperfeiçoar a ponta de pé.

A chinerina, inspirada nos tamancos chineses, promete uma ponta de pé perfeitamente alongada, que não sobrecarrega os joelhos. É o que explica o bailarino Osnei de Oliveira, de 46 anos. Ele trabalha com o desenvolvimento e aprimoramento das tecnologias que fazem sucesso na Feira. O Festival ainda nem terminou e Osnei já vendeu 280 pirueteiras e 200 chinerinas, o dobro do que comercializou no ano anterior quando lançou o equipamento no estande.

De acordo com Oliveira, a tablita foi descoberta pelos cubanos. Eles usavam as costas de cadeiras escolares para aprimorar a habilidade nos giros. Com o tempo, foram percebendo que a largura fazia com que a tábua percorresse um espaço maior. Como a ideia era permanecer em um mesmo eixo, aos poucos foram testando e descobrindo que quanto menor a largura maior o controle sobre o giro.

Ponteiras de silicone cirúrgico como as usadas pelo New York City Ballet, meias-calças de suplex com costura dupla à prova de rasgos e sapatilhas de meia ponta com sola colada e arredonda. São outros produtos à disposição dos bailarinos.