Tomar crédito online pode sair bem mais barato do que no banco

<p>A tecnologia vem mudando a forma como as pessoas lidam com o dinheiro – não só para investir, mas também para tomar emprestado. Segundo pesquisa do aplicativo de educação financeira Guiabolso, com 4,5 milhões de usuários, ao contratar um crédito pessoal online via fintechs, o consumidor pode conseguir uma taxa de juros mensal, em média, três pontos porcentuais abaixo do que as oferecidas nos grandes bancos. Isso significa que uma taxa de 6% ao mês, por exemplo, poderia sair por 3%.</p><p>Em levantamento realizado, a pedido da reportagem, com uma amostra de usuários do aplicativo, entre os que têm parcelas de empréstimos em bancos, 82% economizariam se tivessem escolhido um empréstimo pessoal online na plataforma, por meio de algum parceiro de crédito digital, como BV Financeira e CBSS.</p><p>Entre os pesquisados, o valor médio dos empréstimos nos bancos era de R$ 7,2 mil, com parcela média mensal de R$ 836. Assim, segundo o Guiabolso, o refinanciamento para um crédito online geraria uma economia de R$ 200 por mês. Em média, a taxa de juros das opções de crédito digital oferecidas no app foi de 3,7% ao mês.</p><p>Segundo dados do Banco Central (BC), ao fim de janeiro, as taxas médias de empréstimo pessoal sem garantia no BB, Itaú, Santander, Caixa e Bradesco eram de, respectivamente, 3,91%, 4,22%, 4,62%, 4,70% e 5,75% ao ano. Já segundo a pesquisa do Guiabolso, o crédito tomado diretamente com os bancos tradicionais foi mais caro (em média, 6,7%). A explicação para essa diferença é que os dados do BC englobam categorias diversas de clientes, como alta renda e private, que têm acesso a taxas melhores. Em 2018, o juro médio do crédito pessoal foi de 41,7% ao ano, segundo o BC.</p><p>Benjamin Gleason, cofundador do Guiabolso, explica que, além de fintechs terem custos reduzidos por não arcarem com uma estrutura física, elas conseguem oferecer taxas mais baixas devido a um processo mais customizado de análise de crédito, que privilegia bons pagadores.</p><p>”Nos bancos, as pessoas mostram apenas parte da vida financeira, mas hoje o consumidor tem conta num banco, cartão de outro e investe por outra corretora – e isso a gente consegue identificar, conectando essas diversas contas”, explica. O Guiabolso, por exemplo, também utiliza dados externos de birôs de crédito, como o SCPC Boa Vista, com quem tem uma parceria.</p><p>As fintechs de crédito cresceram de forma expressiva nos últimos tempos. Segundo a Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), o salto vem sendo de 300% ao ano no volume de crédito concedido. A procura por novas alternativas decorre do fato de que, apesar de a Selic ter caído de 14,25% a 6,5% ao ano de 2016 para cá, o impacto no mercado de crédito foi pouco expressivo.</p><p>”Historicamente, resolvemos o problema da inflação – mas ainda não o de crédito”, afirma Rafael Pereira, presidente da associação. “Grande parte desse problema tem a ver com a concentração bancária: mais de 80% do crédito está nos cinco grandes bancos. Mas, isso está mudando.” Segundo a associação, hoje existem entre 80 e 100 empresas de crédito online no País.</p><p>Ele pontua também que o segmento tem se tornado cada vez mais especializado. “Há fintech de crédito focada em pessoa física, jurídica, em pequena e média empresa, em consignado, com garantia e por aí vai”, diz.</p><p>A fintech Alicrédito, por exemplo – focada em crédito pessoal -, vai lançar este mês duas novas linhas: crédito para servidores federais e consignado, com taxa média de 1,7% ao mês. “A questão é que a maioria dos clientes de banco são pagadores de tarifas, mas não tem os serviços adequados”, diz Bruno Reis, presidente da empresa.</p><p>Pereira, da ABCD, ressalta, porém, que, na hora de tomar crédito, é importante pesquisar sobre a instituição financeira e dobrar a atenção para evitar fraudes. “O consumidor jamais deve fazer pagamento antecipado para a liberação do crédito – nenhuma empresa pede isso”, diz.</p><p>Procurados pela reportagem, Bradesco, Itaú e BB não comentaram. Caixa e Santander não responderam.</p><p><strong>Lançamento</strong></p><p>A fintech Nubank lança nesta segunda-feira, 11, um novo serviço de empréstimo pessoal para pessoa física. A novidade ficará disponível gradualmente para clientes da NuConta e do cartão de crédito. Num primeiro momento, serão oferecidos juros entre 2,1% e 5% ao mês.</p><p>Todo o processo é feito por meio do aplicativo, no qual o cliente pode fazer uma simulação: basta informar o valor de que precisa, escolher o número de parcelas (máximo de 24) e a data em que gostaria de começar a pagar para ver, na hora, os juros e o valor total e mensal a ser pago.</p><p>A liberação do novo produto será feita de forma gradual. Ao longo dos próximos primeiros meses, aproximadamente 600 mil clientes já ativos devem ter o crédito pré-aprovado disponível para contratação. As informações são do jornal <strong>O Estado de S. Paulo.</strong></p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense