TripAdvisor amplia restrições para venda de ingressos de atrações que envolvem animais

A TripAdvisor, plataforma de turismo, aumentou as restrições para a venda de ingressos de atividades que envolvem animais.

A TripAdvisor, plataforma de turismo, aumentou as restrições para a venda de ingressos de atividades que envolvem animais.

De acordo com a empresa, não vão estar disponíveis ingressos para experiências em que animais selvagens ou ameaçados de extinção sejam forçados a realizar truques ou outros comportamentos que não fazem parte de sua natureza.

Foi proibido, também, a comercialização de tickets para os shows que mantém animais em cativeiro. As atividades que mantiverem alguma interação com os animais, seja a alimentação ou toque, só poderão ser vendidas na plataforma desde que respeite a política interna de bem-estar animal.

A decisão da plataforma é resultado de uma campanha iniciada pela organização World Animal Protection ainda em 2016. Há 2 anos, a plataforma, em parceria com a organização, tem desenvolvido políticas de conscientização para um turismo mais respeitoso com os animais.

Para João Vasconcellos de Almeida, porta-voz da World Animal Protection responsável pela campanha, a atividade turística tem um enorme impacto no bem-estar dos grupos animais.

“No processo de abraçar um bicho-preguiça ou segurar uma cobra, o turista não tem a menor compreensão do que está por trás disso, como o tráfico de animais e os maus tratos. A TripAdvisor precisou se abrir para a ideia de fomentar um turismo mais responsável e depois transformar essa preocupação em política interna”, explica.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, João Vasconcellos de Almeida compartilha dicas de como evitar atrações que são predatórias para os animais em seu destino turístico.

Qual a importância dessa decisão para uma plataforma como a TripAdvisor?

A plataforma do TripAdvisor é um dos líderes de mercado no setor de turismo. A World Animal Protection sempre se preocupou com a relação entre o turismo e os animais silvestres. No caso da plataforma, nós avaliamos quais eram as ofertas de atividades que o TripAdvisor tinha e separamos em 2 principais grupos: atividades que envolviam sofrimento animal e atividades que tinham condições aceitáveis de proteção animal, mesmo que elas não pudessem ser consideradas “ótimas”. A gente entrou em contato com a plataforma e pediu que eles repensassem essas ofertas em prol do bem-estar animal. Eles entenderam que poderiam impactar positivamente ao incentivar um consumo turístico mais responsável. A TripAdvisor precisou se abrir para a ideia e depois transformar essa preocupação em política interna.

É seguro eu tirar uma selfie com este animal?

Não tire uma selfie se:

  • ele estiver sendo segurado, abraçado ou contido
  • você estiver oferecendo comida a ele
  • você ou o animal correrem risco de se machucarem

Tire uma selfie se:

  • você puder manter uma distância segura dele
  • ele estiver em seu habitat natural
  • ele estiver livre para se movimentar, não preso

Quais são os tipos de atividades que não são mais vendidas?

Em qualquer atividade que se tenha contato com animais silvestres, os animais deverem estar livres na natureza, nunca em jaulas, gaiolas ou correias; é preciso que se mantenha um certo nível de silêncio, uma distância miníma e segura entre o turista e o animal; jamais devemos oferecer alimentos e temos que intervir o menos possível na vida do grupo animal; o turista pode sim observar e contemplar os animais, mas não utilizá-los como objetos de fotografias. Ou seja, devemos evitar atraçõees em que os animais são protagonistas simplesmente para o entretenimento humano.

Essa é a diferença entre um turismo de observação, que respeita o grupo animal, e um turismo de interação direta e de modulação do comportamento animal.

Existe algum destino específico em que essas práticas de maus tratos são mais presentes?

Os lugares em que as más práticas são gritantes são nos países de florestas tropicais. No Brasil, na região da Amazônia, nós já mapeamos atividades desse tipo próximo a cidade de Manaus. No processo de abraçar um bicho-preguiça ou segurar uma cobra, o turista não tem a menor compreensão de que por trás disso tem toda uma atividade que envolve a extração dos animais da natureza sem permissão e isso fomenta o tráfico, a separação dos filhotes, o manejo do animal com base em sofrimento e o uso até de calmantes. O animal fica em situação de stress, em cativeiro, sem acesso a comida e água. Em países como a Tailândia, Índia e China o mesmo acontece, principalmente com elefantes e tigres.

As premissas do turismo consciente:

– Pesquise. Questione o agente turístico que está te oferecendo a atividade, entenda o que está por trás da prática e tenha uma conversa aberta;

– Procure entender a cultura local. Qual a relação da comunidade com esses animais?

– Faça perguntas se o animal tem acesso a comida e água permanentemente, se existe abrigo e descanso;

– Questione se existe alguma pratica de maus tratos para que eles sejam usados na atividade turística;

– Observe se animal tem o comportamento natural dele ou é induzido a um outro comportamento;

– Perceba se há indicadores de situação de stresse naquela atividade;

– Se você sentiu que algo está errado, fale. Fale com os seus familiares, fale com a agência ambiental local, use as redes sociais e descreva o que você presenciou.


Fonte: brasilpost