Trump anuncia 'sanções incisivas' contra líder supremo e dirigentes do Irã

<p>O governo dos Estados Unidos impôs nesta segunda-feira (24) sanções “incisivas” contra o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e a cúpula militar da República Islâmica, aumentado a pressão contra o país que ameaçou com a “destruição” se optar pela guerra.</p><p>O presidente Donald Trump assinou as sanções econômicas no Salão Oval, um medida que classificou como “uma resposta forte e proporcional às ações provocadoras do Irã”.</p><p>Acrescentou que a resposta do Irã determinará se as sanções terminam amanhã ou se vão durar “anos”. “Nunca o Irã poderá ter uma arma nuclear”, repetiu.</p><p>Já o Tesouro americano anunciou o bloqueio de “bilhões de dólares” em ativos iranianos, assim como a inclusão em sua lista negra do ministro de Exteriores, Mohamed Javad Zarif, na qual constam também os nomes de oito comandantes da Guarda Revolucionária do país, o corpo militar ideológico do regime.</p><p>Ao ter conhecimento das medidas de Trump, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, considerou que o exército americano não tem o que fazer no Golfo.</p><p>Donald Trump “tem 100% de razão no fato de que o exército americano não tem o que fazer no Golfo Pérsico”, escreveu Mohammad Javad Zarif em um tuíte no qual fez alusão explícita a estas sanções.</p><p>”A retirada de suas forças é perfeitamente conforme os interesses dos Estados Unidos e do mundo”, acrescentou Zarif, que, segundo os Estados Unidos, será afetado pessoalmente esta semana por novas sanções americanas.</p><p>A tensão entre Washington e Teerã, sem relações diplomáticas desde 1980, se intensificou na quinta-feira passada com a destruição de um drone americano por um míssil iraniano no Golfo.</p><p>”Realmente há alguma sanção que os Estados Unidos não tenham imposto ao nosso país recentemente ou nos últimos 40 anos?”, perguntou o porta-voz da chancelaria iraniana, Abbas Mousavi. “Acreditamos que não terão nenhum impacto”, acrescentou.</p><p>Em meio a este clima de tensão, Reino Unido, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos solicitaram a busca por “soluções diplomáticas” para reduzir a espiral de conflito com o Irã.</p><p>Aliado de Teerã, a Rússia classificou como “ilegais” as sanções prometidas por Trump.</p><p>- Mensagens ambíguas -</p><p>Trump tem sido criticado nos Estados Unidos por suas mensagens ambíguas enviadas ao Irã. Apesar disso, o presidente garante que tem uma estratégia clara que rompe com a política americana do passado no Oriente Médio.</p><p>Através do Twitter, Trump reafirmou suas condições para o Irã: “Sem armas nucleares, sem mais apoio ao terrorismo!”. Na véspera, numa entrevista à rede NBC, ameaçou destruir o Irã se os líderes do país optassem pela guerra.</p><p>Teerã assinou em 2015 um pacto com as potências no qual se comprometia a usar a energia nuclear apenas para uso civil. Mas Trump decidiu retirar os EUA do acordo no ano passado por considerá-lo “péssimo”.</p><p>O governo do Irã divulgou que não está desenvolvendo nenhum programa de armas nucleares.</p><p>Apesar da escalada, Trump insiste que não deseja uma guerra e que regularmente envia mensagens para iniciar negociações com Teerã.</p><p>Ainda assim, garante que Washington é mais livre do que no passado porque sua produção de energia o libera da dependência do petróleo do Oriente Médio.</p><p>Isto significa que os Estados Unidos já não devem ser vistos como protetores das rotas marítimas do Golfo, onde no último mês vários navios-tanque, nenhum deles americano, sofreram ataques pelos quais Washington culpa Teerã.</p><p>Trump apelou aos países importadores de petróleo para protegerem seus interesses estreito de Ormuz e usou do fogo-amigo ao afirmar que não entende o motivo dos Estados Unidos serem os responsáveis pela segurança nessa região “sem receber nada” por isso.</p><p>Até agora, a tática do morde-assopra usada por Trump contra o Irã não parece dar resultado.</p><p>”As afirmações dos Estados Unidos de que estão abertos para uma negociação incondicional não são aceitáveis com a manutenção das ameaças e sanções”, publicou no Twitter Hesamodin Ashna, assessor do presidente de Irã, Hasan Rohani.</p><p>- Diplomacia internacional -</p><p>A disputa surge de uma complexa rede de rivalidades regionais, com aliados dos Estados Unidos, como Arábia Saudita e Israel, que há muito tempo pressiona que Washington para agir com mais dureza.</p><p>O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, advertiu que faria de “tudo” para evitar que o Irã obtenha um arsenal nuclear. Especula-se que Israel possui armas nucleares não declaradas.</p><p>O Conselho de Segurança da ONU se reunirá na segunda-feira a petição dos Estados Unidos para discutir a tensão com o Irã.</p><p>Trump enviou o secretário de Estado, Mike Pompeo, à Arábia Saudita, o principal inimigo regional do Irã, para construir o que chamou de “coalizão global” contra a República Islâmica.</p><p>O sultanato de Omã garantiu de que as informações sobre sua participação como canal de comunicação entre os Estados Unidos e Irã após o incidente com o drone na semana passada “não eram certas”, mas pediu aos dois países a “mostrar autocontrole e resolver os problemas pendentes através do diálogo”.</p><p>Apesar de Trump afirmar ter cancelado num último instante ataques de represália pela queda do drone, a imprensa americana informou que os Estados Unidos lançaram um ataque cibernético contra os sistemas de controle de mísseis e de uma rede de espionagem iranianos.</p><p>Já o ministro iraniano das Telecomunicações, Mohamad Javad Azari Jahromi, afirmou que seu país no sofreu nenhum dano após estes supostos “ciberataques”</p><p> * AFP </p><!– contentFrom:cms –>
Fonte: Diário Catarinense