Univali vai monitorar animais marinhos em área de 800 quilômetros de pré-sal

Convênio firmado com a Petrobras fará resgate, atendimento veterinário e reabilitação de espécies como tartarugas, baleias e golfinhos

Univali vai monitorar animais marinhos em área de 800 quilômetros de pré-sal  Marcos Porto/Agencia RBS

          

Um convênio firmado nessa terça-feira entre a Univali e a Petrobras garantirá monitoramento inédito de aves, tartarugas e mamíferos marinhos que chegam mortos ou debilitados às praias do Sul e Sudeste do país. O monitoramento, feito por terra, inicia em 30 dias.

O levantamento será feito de Ubatuba (SP) a Laguna e incluirá 15 instituições. Os pesquisadores terão a missão de avaliar se a produção e o escoamento de petróleo e gás natural causam impacto aos animais. A ação é condicionante do licenciamento ambiental para exploração do pré-sal na Bacia de Santos e foi exigida pelo Ibama.

A indicação da Univali para coordenar os trabalhos foi do Ibama, que reconheceu o trabalho pioneiro do professor e pesquisador André Barreto. Desde 1990, ele mantém em Itajaí o Sistema de Apoio ao Monitoramento de Mamíferos Marinhos (Simmam), no Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar).

Na prática, os pesquisadores poderão enfim explicar o que tem causado os encalhes constantes de animais na costa, e indicar se as ocorrências aumentaram ou diminuíram no decorrer do tempo.

— A estatística é a parte fundamental do projeto. Em pesquisa temos ideias, que têm que ser comprovadas com fatos. Poderemos dizer se o número de encalhes é anormal — diz Barreto.

Neste inverno, quatro baleias jubartes apareceram mortas em SC – o que, segundo Barreto, acende o alerta, já que a espécie não costuma se aproximar da costa no Sul do país. Nesta época, são comuns os recolhimentos de pinguins. Tartarugas também estão entre os recolhimentos mais frequentes.

Projeto prevê nova unidade de petróleo

O gerente-geral da Unidade de Exploração e Produção da Bacia de Santos (UO-BS), da Petrobras, Osvaldo Kawakami, disse que o licenciamento que originou o projeto de monitoramento diz respeito ao início de operação de uma nova plataforma, que deverá operar 30 barris de petróleo por dia no pré-sal. A expectativa é que o Ibama emita a licença até o fim da semana.

A Petrobras, que passa por um processo de redução nos investimentos desde que veio à tona a Operação Lava-Jato, espera ter mais 19 plataformas até 2020.

Kawakami esteve em Itajaí em abril representando a Petrobras em uma audiência pública sobre o fechamento da Unidade de Exploração e Produção Sul (UO-Sul). A unidade funcionava na cidade e passou a ser subordinada a Santos. Ele disse que o convênio comprova que “não é pela reestruturação que a Petrobras deixou de olhar Itajaí e Santa Catarina”:

— É um contrato significativo (sem citar valores), que só não tem recolhimento de ISS para Itajaí porque a Univali é uma entidade sem fins lucrativos.

Pelo acordo, serão construídas cinco bases de estabilização no país – três delas em SC, em São Francisco do Sul, Laguna e Penha, que já tem uma base mantida pela Univali e será reformada. Florianópolis ganhará uma das cinco unidades de reabilitação, e Imbituba terá uma base de apoio. A previsão é que as construções sejam entregues em até um ano.